maio 02, 2009
Why did the chicken cross the road? #3
Why did the chicken cross the road? #2
maio 01, 2009
Dia do trabalhador
Mas não consigo deixar de sorrir ironica/causticamente ao pensar que um país como o nosso goza tal feriado... insurjam-se as vozes munidas de história e de realidades, mas a verdade é que é ridículo o português ter direito a (mais) um feriado e com título tão sugestivo.
abril 29, 2009
abril 28, 2009
I have a dream
Estou ansiosa!
Há de chegar o dia, em que o hoje orgulhoso e snob detentor de um pézinho 37 ou 38 vai chegar a uma sapataria e não vai ter o seu número. Vai receber um comentário trocista "37? Não... não fazemos"... e aí a justiça será quase atingida. Digo quase porque andar com uns sapatos grandes demais pode ser desconfortável, mas ao menos não é mutilante como andar com pequenos demais.
Chegará o dia em que cada sapataria deste país e cidade em particular responderá à minha prece! (ou será que continuarão neste percurso autista do "portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40..."??)
Neuroglicopénia
Adiante...
Se calhar é a gripe suína, se calhar a das aves (eu que gosto tanto delas), se calhar a vulgar. Certo é que só tolero líquidos e começo a ressentir-me disso.
Batido de atum, alguém?
abril 21, 2009
Auntie Scrooge
Se daqui por outros dois anos tiver o dobro do que tenho agora, prometo que, nem por um só dia, vou levantar tudo só para contar à mão...
É doentio, mas sou apaixonada por dinheiro.
abril 19, 2009
abril 12, 2009
E ainda
Nós portugueses e sobretudo portuguesas, simplesmente damos por ela, incomodamente, quando ficamos com um salto preso, quando damos um pontapé numa pedra solta, quando tropeçamos numa bossa de um passeio que não foi claramente feito para passeios...
Mas é tradição. Não imaginava, confesso, a minha Lisboa de passeios de cimento, como os de todas as cidades por esse mundo fora que são dotadas de passeios...
É uma tradição, por definição, e como tal por estúpida e pouco prática que seja, é acarinhada, abraçada, defendida.
Uma tradição que corre riscos, pela extinção dos mestres calceteiros... alguém devia explicar à calçada, que nos dias que correm todos querem ter um curso superior e que mestres só de mestrado (mesmo que sobre as excrescências das moscas varejeiras).
Felizmente há o desemprego, que poderá vir a garantir a sobrevivência desta forma de arte urbana, caso a necessidade seja tal que se sobreponha à inércia e orgulho lusos, tão característicos também... certamente tradição.
Meet me in St. Louis
Fez em Fevereiro 1 ano que entrei para a especialidade. Nessa altura, há 1 ano atrás, levei os meus amigos mais queridos a jantar (nem todos puderam), num gesto de comemoração e partilha de um bom momento. Este ano repetiu-se esse jantar, como uma pancada de calceteiro a garantir que as pedras ficam bem encaixadas.
No do próximo ano, espero conseguir reunir o casal algarvio que falta comparecer a este jantar, já tradição. E que a minha J. mais linda não me venha propor uma alternativa ao restaurante, porque ouviu falar de um que é muito giro e come-se bem e sei lá mais o quê, e compreenda que é uma tradição, e que por isso não se mexe, não se contesta, não se questiona.
Sempre será o que foi
Algo que sem qualquer substrato real ou comprovável, passa de geração em geração, inabalável e indestrutível só por ser uma tradição. Acredito que muitos super-heróis de banda desenhada tenham sido criados a pensar apenas nesta entidade...
A tradição... pode-se tentar refutar, defender os direitos dos animais, das crianças... "mas é tradição!" e todos os argumentos válidos caem por terra, ao ribombar deste insólito trovão directamente das mãos de Zeus. Diz que as tradições remontam a essa época (à da mitologia grega... que também é tradição, por assim dizer).
E assim, por ser tradição e isso ser incomensurável no que diz respeito à história e noção de "eu/nós" de uma sociedade, perpetuam-se todas as atrocidades.
Parece que falo da tourada, e podia ser... mas não, falo da Páscoa. Viajei um nadinha na maionese, mas vinha falar da Páscoa. Consome-me de facto que um dia/época que diz respeito a uma religião, que não é única ou soberana perante as outras na nossa sociedade (melhor dizendo: não deveria ser), seja imposto a todos: cristãos, judeus (que por acaso este ano por esta altura também comemoram a sua Páscoa, nada relacionada com cristo - mais uma vez... Porque é que o corrector automático me diz que cristo tem que ser com maiúscula?! Até aqui???), protestantes, hindus, ateus, etc...
Claro está que também é tradição portuguesa não se gostar de trabalhar, seja qual for o credo... daí que ateus, protestantes, cristãos e adoradores do diabo recebam com regozijo a ideia de ter feriados católicos como nacionais. Os nossos valores e crenças pouco se comparam à vontade de não trabalhar, convenhamos.
abril 01, 2009
março 31, 2009
Crawl, bruços, mariposa, costas ou freestyle (a.k.a. "à cão")
Sempre me encarei como poupadinha e achava-o uma qualidade. É bom ser-se organizadinha, poupadinha, sensatazinha... é bom e é, como o sufixo indica, algo mesquinho.
Cheguei recentemente à conclusão que não sou apenas poupadinha. Sou na realidade forreta, fonas, avara... e isso já não é uma qualidade. Atravessa-se a linha ténue entre ser-se sensato e regrado e ser-se desinteressante e agarrado ao dinheiro.
E sou... agarrada ao dinheiro isto é. Gosto dele, gosto de o ter e custa-me gastá-lo. Rotulo de luxo as coisas mais banais. Por outro lado, frequentemente rotulo de essenciais as mais supérfluas...
Estou a pensar preparar uma divisão da casa para fazer uma caixa-forte e deitar o dinheiro lá dentro... é que sempre tive o secreto sonho de fazer como o Tio Patinhas e fechar-me num cofre a nadar numa piscina de moedas douradas com um cifrão...
Internal Ravaging Sacrifice
Altura maravilhosa do ano esta... podem-se declarar compras de computadores ou não?? E despesas com o carro ou não?!
Quem diria que tenho um irmão na área de direito fiscal...
março 30, 2009
março 29, 2009
In m.
Associo-lhe também estes acontecimentos, que adorava. Aos quais tentava sempre levar toda a prole, mas acabava por me levar apenas a mim... mas ontem estivemos, não todos, mas muitos... filhos, netos e mulher, a representar e a sorver o que se pudesse de memória, de presença. A taça foi erguida e o copo vem cheio.
março 26, 2009
Denial no more
(para outras núpcias)
março 24, 2009
Saudosismos
Sem chumbo 95 a €0,89
março 23, 2009
O jardim do vizinho
Estranha fronteira esta que barra a entrada a todos aqueles que se cataloguem com um número superior ao 40 ou (esconjuro!) superior ao 41...
março 16, 2009
Avózinha é que sabe
E é. A Catarina envergonha a sua mamã ainda na barriga...
Porque me irrita a minha rua

À 1.30pm, regresso a casa...
... eles mesmos, os senhores dos andaimes, baldes barbot, tábuas de madeira, sacas de cimento, areia para cimento, etc, estacionados intermitentemente/constantemente durante 3 meses à porta da minha casa.
NB: o prédio ainda não está habitado
NB2: os "risquinhos" amarelos foram pintados por eles mesmos, daí que pareçam o império do sol nascente e não os habituais sinais rodoviários de proibido estacionar
NB3: ainda tiveram uma bola azul com contorno e uma barra diagonal vermelhos na porta da garagem(qualquer semelhança com um sinal de proibido estacionar seria, certamente, pura coincidência).
março 11, 2009
A última dos mohicanos
Assim, deixo a questão que já espalhei por milhares de sapatarias lisboetas: «Serei a única portuguesa com pé de cinderela»(sobretudo tendo em conta esta nova geração nitrofurano com corpinhos de 20 aos 10anos) «para as sapatarias não venderem/fazerem sapatos acima do 40??»
Então... como são?!
Com a maior desfaçatez "Já vi os teus pés, sei que tens essa paranóia com os pés, mas os teus pés não são feios... pés feios não são como os teus"...
E agora? Como entender o mundo, após uma adolescência a enterrar os pés na areia para não estarem à vista dos transeuntes que sem dúvida fixariam com horror a proeminência horrenda que brotava da minha extremidade... como interpretar o meu grito de auto-aceitação ao prescindir desse pudor e vergonha em prol do prazer de banhar os meus pézinhos com a brisa e sol?
março 10, 2009
Porque sim
Dia do Pai
Bonito não diria, mas a questão do trabalho foi muito bem vista pai... para a próxima oiço-te com mais atenção!
fevereiro 27, 2009
Feira das vaidades
Depois de esturricar as pernas no laser e sofrer o que não desejo a ninguém, fui perder 2h a lavar e cortar e esticar e secar e brushar.
Não me sinto particularmente restabelecida, não me sinto particularmente evax (feliz por ser mulher)... o imbecil que inventou este conceito só pode ser homem e misógino.
Dalila
Força ainda tenho, mas daqui por uns dias não garanto passar nas portas do metro. Felizmente amanhã chove... é que "o problema desta casa é a humidadi"
fevereiro 26, 2009
Pros nos vérbios
E porque aprender é sempre um prazer...
Popularmente diz-se: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro.'
O correcto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.'
'Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.''
Enquanto o correcto é: 'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'
'Cor de burro quando foge.'
O correcto é: 'Corro de burro quando foge!'
Outro, que todos dizem de uma maneira errada: 'Quem tem boca vai a Roma.'
O correcto é: 'Quem tem boca vaia Roma.'
'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é: 'Esculpido em Carrara.'
Mais um famoso...: 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correcto é: 'Quem não tem cão, caça como gato'... ou seja, sozinho!
Sansão
Ao fim de mais de um ano, com mais de 60cm de maior comprimento, chegou o dia...
fevereiro 24, 2009
Nights of solitude
Pode-se estar em solidão e confortável com isso, mas o português não parece querer honrar essa distinção.
Hoje, no entanto, não é o caso. Nos últimos tempos para ser sincera. Ando a lidar mal com a solidão (essa mesma). Sem solitude...
Sempre que saio de perto de um grupo e me vejo sozinha, sinto-me efectivamente sozinha. E isso é estranho em mim, deixei de saber apreciar os meus momentos comigo mesma.
É possível que não me considere grande companhia...
fevereiro 12, 2009
Quando o luxo vem sem etiqueta
Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos transeuntes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.
Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam meros 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres em passo rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.
Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de glamour.
Somente uma mulher reconheceu a música...
fevereiro 08, 2009
fevereiro 01, 2009
Correr por uma pechincha
O sofá magnífico e baratíssimo (uma verdadeira "oportunidade") vai-me sair por mais €68 do transporte não executado do Ikea e ainda €120 da empresa que tive que contratar à parte... uma pechincha!
Why god?
Digamos que é nestes momentos que as nossas pequenas conquistas nos sabem a mel, e é nestes momentos que todos os arrependimentos que por vezes nos passam pela cabeça por não estarmos a poupar dinheiro em casa dos pais se desvanecem.
Ao final desta semana, e depois de a minha sobrinha ter tido um episódio de insuficiência respiratória aguda, e perante a apatia e indiferença da minha mãe tudo ter sido demais para mim, consegui ser deserdada.
Alvíçaras!
janeiro 23, 2009
janeiro 18, 2009
Ansiolíticos
Ontem, de antena 2 em punho à toada de Rimsky-Korsakov (e nem por isso o mais indicado), não me importei com nada disso... não quis saber qual era a faixa que andava mais depressa, não quis pressionar ninguém para deslargar a faixa da esquerda, não tive qualquer necessidade de ensinar ninguém conduzir... e reaprendi a gostar de o fazer.
janeiro 17, 2009
Saídas de banco
Não sei se me vá enfiar na fnac, se me vá enfiar num centro comercial à procura de roupa que preciso de comprar, se vá apanhar frio para a rua só porque sim...
Bela fama
Ela encontrou-me precisamente do outro lado do hospital, onde não me soube dizer nada que me orientasse. Perguntei-lhe porque é que a mãe tinha vindo ao hospital, de que se queixava... dado que pelas queixas ou estaria no meu serviço (e eu sabia que não estava) ou num outro, fui com ela a esse serviço.
A doente não estava lá. Procurei no sistema, e a senhora tinha tido alta há 2h do serviço de urgência geral... isto no sistema, porque provavelmente estava numa cadeira qualquer, provavelmente já com o epítet "caso social". Lá encaminhei a senhora, com indicações para falar com os administrativos e com as folhas que lhe dei na mão obrigá-los a encontrar-lhe a mãe.
Quando voltei ao serviço onde tinha sido chamada, a copeira e a auxiliar de acção médica saíram-se com esta:
- Ai Sra. Dra., isso já não há...
- Desculpe?...
- Isso que a Sra. Dra. fez... isso já não se faz. Parar o seu trabalho e andar a ajudar aquela senhora assim.. acho que faz muito bem e que Deus a ajude em tudo quanto lhe vier pela frente.
Ri-me, agradeci, fiquei toda orgulhosa de mim mesma (babada na verdade)... mas depois fiquei a pensar... que raio de fama têm os médicos. O que é que custa fazer o que fiz, sinceramente? É assim tão frequente virar as costas a uma pessoa que nos pede ajuda a encontrar a mãe que estará algures no hospital que nós conhecemos bem e onde nos sabemos mover?
E não me senti superior ou bem comigo mesma por não ser assim... senti-me triste.
E ainda
Certo é que eu sou reconhecida profissionalmente todos os dias... só não pelas pessoas certas. Todos me têm um apreço e reconhecimento de capacidades e até conhecimento, excepto os do meu serviço, nomeadamente o meu tutor (salvo muy raras excepções). Incomoda-me, mas começo a pensar que se calhar o problema não é meu...
Não, agora a sério
Sendo que 2008 ficará para sempre na memória como um ano de merda, pensar que 2009 o continua na mesma tónica é no mínimo desesperante.
Reza-te a sina
janeiro 15, 2009
(In)significâncias
Neste, no mesmo comboio, acompanhada de dois amigos que seguiam noutra carruagem (nos sonhos há coisas assim... não era por ausência de espaço). Segundos antes da paragem pretendida, mais uma vez Citius, disseram-me que era ali que saíamos... arrumar tudo à pressa, com mochila do interrail e tudo, a pôr todas as malas na gare com as pessoas a entrar no comboio e a serem incapazes de se desviarem... quando ia a pôr a última mala na gare e sair, a porta fechou-se e o comboio começou a andar... abri a porta preparada para sair em andamento mas já não havia plataforma, o comboio não tinha degraus e os carris ficavam muito a baixo do nível do comboio.
Não percebi o que queria isto dizer... a reacção das pessoas que voluntariamente só complicavam, a minha ansiedade (e sobretudo a ausência dela anteriormente, que me permitia ter tudo desarrumado segundos antes da possibilidade de ter que sair, nada característico meu...), o não haver plataforma ou a altura desmedida do combóio.
Por estranhar o facto de se repetir este contexto estranho da linha de combóio e da repetição do nome da estação:
citius - do latim mais rápido, mais célere; é também o nome do projecto de desmaterialização dos processos nos tribunais judiciais desenvolvido pelo Ministério da Justiça.
E...?
janeiro 14, 2009
Limitante
Adoro tachos, panelas, tupperwares (o que eu amo tupperwares!!), electrodomésticos pequenos e grandes... especiarias, peixinho especial de corrida, escolher a melhor verdura e a melhor carne... gosto de comprar toalhas de mesa, guardanapos, loiça... e a lista continua (e o que é triste é que até pode mesmo haver uma lista, real e não apenas figurativa).
Isto tem duas conclusões:
- Sou realmente a minha mãe, sem tirar nem pôr;
- Sou a confirmação do clichet: se me ampliassem a cozinha, eu ficava realmente feliz... genuinamente feliz!
janeiro 10, 2009
É muito gira a nossa aldeia
Reservados por caixotes de mercearia, por tábuas, por andaimes, por baldes de tinta barbot...
Tudo dá direito a reservar lugar.
Daqui por uns tempos, descompenso, e quando passar numa rua qualquer que não a minha, só para fazer finca-pé, afasto as marcações e estaciono. Dou uma volta ao quarteirão a pé e depois fico a ver o que acontece...
É que na minha rua, estacionar num lugar guardado por pessoas a ocupá-lo dá lugar a cruzes no pára-choques... é verdade... duas ou três em baixo relevo. Eu que o diga (ou o meu carro melhor dizendo). A letra escarlate, como quem anuncia "a dona deste carro não obedece ao código não escrito dos lugares reservados"...
E não obedeço mesmo, irritam-me as imposições sem sentido, e o conceito de que há pessoas que podem mais que outras. Lá porque não tenho uma tábua, um caixote de mercearia ou um balde de tinta barbot não quer dizer que não goste de estacionar à porta de casa.
Acho que tenho que mudar de casa, as pessoas da minha rua irritam-me...
Velhas, parte II
Pelo menos as velhas da minha rua são assim...
Na mesma rua com uns bons 10 lugares de estacionamento, as velhas acham correcto que não menos que 3 desses lugares sejam ocupados pelos contentores do lixo. Ai de quem queira afastar um contentor para estacionar um carro...
O objectivo de passarem as tardes à janela (aberta apenas se tempos mais amenos... nesta altura do ano encostam o nariz à janela e daí velam a rua) é garantir a segurança do seu precioso caixote do lixo.
Seu como quem diz do seu prédio. É que estes monos verdes têm que estar imediatamente à porta de suas casas, ou elas sofrem de terríveis palpitações e terrores nocturnos... o seu coração não aguenta. E é de coração na boca que gritam qualquer coisa imperceptível pela janela... rogando o bom senso do incauto automobilista que ousa estacionar num lugar tão dignamente ocupado pelo caixote.
As velhas da minha rua irritam-me.
Velhas
velha (através dos vidros do carro fechados) - bla bla bla (como os adultos no Charlie Brown)
eu - diga? (abro a janela, pensando que ela quisesse de facto dizer-me alguma coisa ) diga?
velha olha mais para o fundo da rua, fingindo que não estava a falar comigo de início
eu - diga?
velha - (resignada com ter que dizer qualquer coisa na cara e não atirar coisas para o ar, lá me respondeu) está em cima do passeio... e assim como é que os peões passam?
eu - pois minha senhora, por isso é que estou a afastar o carro...
velha cala-se, olha noutra direcção, e só quando chega outra velha ao lado dela é que recomeça a ladaínha.
Espero nunca me tornar tão cobarde quando chegar a velha. Odiaria irritar-me a mim própria.
dezembro 31, 2008
Rostov

Trazia altas expectativas, porque a única vez na minha vida que vi uma companhia nacional de bailado russo ao vivo (já lá vão uns 12 anos) foi o espectáculo mais lindo que vi... tornei-me snob e desmerecendo cada companhia de bailado.
É certo que por serem russos não têm que ser bons bailarinos, mas eu no meu íntimo assim o cria (e queria).
Foi uma desilusão... corpos de bailado dessincronizados, piruetas que se alastravam pelo palco todo, desequilíbrios, até falta de coordenação...
Salvou-se a dança russa, com o magnífico menear do russo que fazia de russo, e a fada e seu escort... o Quebra-nozes não ia mal de todo, mas não me tirou a respiração.
Da mesma companhia espera-se a 1 de Janeiro o Lago dos Cisnes, mas agora ponho as minhas dúvidas se valerá a pena.
A assinalar, como sempre, o péssimo público português, que não aplaude e não percebe nada do que vê e ouve. Voltei (eu, eterna tímida) a iniciar as salvas de palmas, constrangida com aqueles silêncios, e a revolver-me pelos "bravos" entoados a quem pior tinha actuado... há pessoas que não merecem ter acesso a cultura.
dezembro 25, 2008
Mirror mirror on the wall
Todo mundo é tímido, os que parecem mais tímidos são apenas os mais salientes. Defendo a tese de que ninguém é mais tímido do que o extrovertido. O extrovertido faz questão de chamar atenção para sua extroversão, assim ninguém descobre sua timidez. Já no notoriamente tímido a timidez que usa para disfarçar sua extroversão tem o tamanho de um carro alegórico. Daqueles que sempre quebram na concentração. Segundo minha tese, dentro de cada Elke Maravilha existe um tímido tentando se esconder e dentro de cada tímido existe um exibido gritando "Não me olhem! Não me olhem!" só para chamar a atenção.
O tímido nunca tem a menor dúvida de que, quando entra numa sala, todas as atenções se voltam para ele e para sua timidez espetacular. Se cochicham, é sobre ele. Se riem, é dele. Mentalmente, o tímido nunca entra num lugar. Explode no lugar, mesmo que chegue com a maciez estudada de uma noviça. Para o tímido, não apenas todo mundo mas o próprio destino não pensa em outra coisa a não ser nele e no que pode fazer para embaraçá-lo.
O tímido vive acossado pela catástrofe possível. Vai tropeçar e cair e levar junto a anfitriã. Vai ser acusado do que não fez, vai descobrir que estava com a braguilha aberta o tempo todo. E tem certeza de que cedo ou tarde vai acontecer o que o tímido mais teme, o que tira o seu sono e apavora os seus dias: alguém vai lhe passar a palavra.
O tímido tenta se convencer de que só tem problemas com multidões, mas isto não é vantagem. Para o tímido, duas pessoas são uma multidão. Quando não consegue escapar e se vê diante de uma platéia, o tímido não pensa nos membros da platéia como indivíduos. Multiplica-os por quatro, pois cada indivíduo tem dois olhos e dois ouvidos. Quatro vias, portanto, para receber suas gafes. Não adianta pedir para a platéia fechar os olhos, ou tapar um olho e um ouvido para cortar o desconforto do tímido pela metade. Nada adianta. O tímido, em suma, é uma pessoa convencida de que é o centro do Universo, e que seu vexame ainda será lembrado quando as estrelas virarem pó.
Luís Fernando Veríssimo in "Comédias da Vida Pública"
dezembro 24, 2008
dezembro 23, 2008
Infira que lhe fica mais melhor bem
Aborrece-me. Aliás, aborrece-me a ignorância, a estupidez, a fraca capacidade intelectual que leva às presunções.
Odeio presumir, preconceitualizar alguma coisa, e odeio-me (pouquinho, porque me tenho um amor imenso e devoto) quando o faço... sinto-me tudo isto: ignorante, estúpida e fraca intelectualmente. Inferir é diferente... dá-se espaço ao erro. Na presunção somos donos e senhores do destino e do sentido das palavras e actos do outro.
Quem és tu para presumir o que seja? Quem és tu para ler nas minhas palavras ou nos meus actos o que tu queres ouvir e ler e não o que elas/eles dizem, sem entrelinhas, sem espaço para interpretações?...
Sou totalitária (o que também é feio)... acho que determinadas pessoas e situações deveriam desaparecer da face da Terra, simplesmente porque me chateiam.
dezembro 19, 2008
Ano novo vida nova
Custa-me confessar às pessoas que gosto delas... vivo no temor da rejeição, até da rejeiçãozinha (que é aquela que na verdade não o é, mas que se interpreta como tal...), e nisso moldo a minha maneira de ser e agir. E é uma estupidez!
Desde que na primária saí em defesa de dois amigos que eram bombardeados com o "namorados, primos e casados" dizendo que bem faziam eles, e o facto de isso ter levado à presunção de que eu era apaixonada pelo Francisco (e assim, o dizia com sofrimento e não como constatação de que era idiota estar a gozar alguém por gostar de outra pessoa) que tenho este horror a que presumam em mim sentimentos inexistentes. Não tenho que ter pudores em dizer a um amigo que gosto dele, que gosto dele de verdade, de coração, sem o saber explicar ou sem ter necessidade disso. Não tenho que temer que perante esta confissão ele pense que estou apaixonada por ele...
É ridículo, mas vivi toda a minha vida neste temor. No temor da sinceridade.
E depois, que achem que sou uma volúvel e estou apaixonada por todos aqueles a quem confesso as minhas simpatias... morro por isso?!... acho que não. Acho até que ao fim de algum tempo esse equívoco seria desfeito e as pessoas entenderiam apenas que eu gostava de coração desse amigo...
Vamos tentar. Vou tentar ser adulta e estar-me positivamente nas tintas para o que os outros pensam. Acho que deve ser ainda mais liberador do que imagino...
Família
Era de uma prima minha. Prima direita, com a qual convivi, pouco, mas em criança... lembro-me dela até frequentemente tendo em conta que não convivemos muito. Partilhamos o mesmo nome, pouco mais.
Sempre me custou que a minha família não desse valor à família. Não a acarinhasse. O meu pai não era assim... adorava os almoços de família em grandes salões no meio de Alcácer ou da Ericeira, onde 80 e tal pessoas da mesma família se reuniam para se verem de tempos a tempos. Achava isso lindo... apesar da minha eterna e intransigente timidez, ia sempre a esses almoços.
Era o par do meu pai... lá íamos os dois, em passeios que incluíam sempre as minhas náuseas automobilisticas (pouco compatíveis com as curvas do caminho para a ericeira, por exemplo). E o meu pai, inchado de orgulho por conseguir arrastar alguém para aqueles encontros nunca soube que eu inchava de orgulho por acompanhá-lo...
dezembro 09, 2008
dezembro 05, 2008
Para um dia...
Sei como é importante para ti, sei como te faz feliz. Fico feliz também por isso.
Vou ser tia, do coração...
dezembro 02, 2008
Só porque pediste
Ontem fui ver o ensaio sobre a cegueira. Fiel ao livro e (felizmente) completamente diferente da peça experimental que fui ver à trindade. Com deleite notei a ausência de preservativos púrpura do ABC do amor, as vozes guturais e a problemática do latão.
Continua a ser o meu livro favorito do Saramago, pelo tema... ontem notei que o vejo de maneira diferente. A cegueira enquanto excesso de informação supérflua, de pré-conceitos, que nos cegam... em oposição à ignorância, como o interpretei quando li o livro. A visão como recompensa de um amor que salta além desses preconceitos, e na recompensa desse amor a visão da imundície que a cegueira gera.
A beleza do livro é essa, aliás. A narrativa aberta, até no tema. A mensagem é a que cada um quiser tirar... poderá haver pessoas que não façam interpretação nenhuma, que entendam apenas como uma epidemia de cegueira, e nada mais. Por exemplo as crianças que partilharam connosco a sessão... vão-se queixar da ausência de efeitos especiais e assim...
...
Gostava também de escrever sobre as possiblidades que tenho de me sair o euromilhões. Agora que não jogo são diminutas.
...
Que escrever sobre nós?!... "Às arveres somos nózes"
...
Sobre mim?... hum... fico muito gira de pijama de bloco R.... sonha com isso! *wink*
Espero que a escrita esteja fluida o suficiente, como se os teus olhos tentassem seguir o vento... *wink wink*
novembro 25, 2008
novembro 16, 2008
5ª feira negra
Presumir que se conhece alguém, ter por garantido, a certeza que se conhece alguém... essa certeza, quase sempre arrogante, irrita-me.
Por vezes, quando baseada em observação (da pessoa, dos gestos e atitudes), o que revela que de facto se investiu alguma coisa nesse conhecimento, é tolerável, muito embora pese sempre o facto de nos despir frente ao outro... e naturismo é bom para quem gosta.
E isto surge-me porque me incomoda a visão que a população em geral forma acerca da classe médica. Adquirida recentemente, à laia de séries de TV, de media sensacionalistas, de (des)conhecimentos veiculados pela internet quando não há capacidade (leia-se formação científica) para compreender e digerir.
Os médicos são ricos.
Os médicos fazem greve porque querem ir de férias, ao contrário dos restantes trabalhadores que fazem greve porque o patronato os vilipendia.
Irrita-me... irrita-me porque a verdade é que os médicos até são a classe que menos abusa do direito à greve em portugal. Pois, mas é porque são ricos...
O médico é bestial quando nos confirma doenças, quando nos passa baixas, quando nos passa receitas (de preferência com antibióticos, que se entendem como panaceia universal não sei bem porquê), quando nos põe em lista de espera para uma cirurgia da qual não precisamos... passa a besta assim que nos recusa seja o que for com que vamos fisgado ao pedir a consulta.
98% do trabalho de um médico (excepção feita a algumas especialidades) não é curar, é averbar saúde, assegurar as pessoas de que estão sãs. Na minha curta experiência (de aproximadamente 4 anos), poucos foram os que encararam bem essa notícia. Estranhamente preferiam estar doentes. Agora vão dizer o quê aos amigos e vizinhos? Que são mariquinhas porque se queixam e na verdade não têm nada?!
A saúde já não é um bem precioso, não dá conversa, não gera empatia...
Não fumar mata
Alguém para se meter no meio da confusão, para separar as partes... com sorte é ele que sai lesado.
novembro 15, 2008
Hímen
Os pudores com a iniciação sexual têm-se vindo a dissipar, ao longo dos tempos e gerações. Actualmente estranho é esperar-se até ao casamento... mais, na geração adolescente (e pré-adolescente) actual, estranho é esta iniciação não se dar pelos 12anos ou antes.
E eu recordo-me de considerar uma das minhas melhores amigas uma doida por a idade que a definia enquanto pessoa (os adolescentes são estúpidos, ou pelo menos incapazes de ver o grande cenário) ser 13 anos...
Mas esta liberdade sexual precoce tem características específicas. Estranhamente, nos dias de hoje, as preocupações dos jovens não são as doenças sexualmente transmissíveis... eu não entendo como é possivel que quase 30 anos depois dos primeiros casos e 20 depois de ser conhecida e reconhecida como tal, os comportamentos sexuais não estejam ainda sujeitos a um temor pela infecção com o VIH (não falando dos restantes, alguns dos quais igualmente crónicos e condicionantes da vida futura).
Não há actualmente uma alma que não saiba como se transmite e como se pode evitar essa transmissão, no entanto a juventude de hoje em dia não se preocupa com isso.
Preocupa-se com o que todas as adolescentes sempre se preocuparam, com a gravidez indesejada. Revolta-me e preocupa-me, mas é um facto.
A geração de jovens raparigas no início da sua adolescência ou na sua pré-adolescência demonstra uma preferência (exigência) pelo sexo anal como método de contracepção. Sem preservativo, como se supõe, ou a contracepção não seria uma questão (duvido que se estejam a preocupar com os 2% de falibilidade).
Os tempos que correm devolvem a importância perdida à virgindade física da mulher, que volta a ser guardada. Não pela sociedade, mas pela própria mulher, que volta a "guardar-se" para o casamento, ou pelo menos para alguém especial... é quase poético...
novembro 13, 2008
Who the hell is Matt?!
Matt is a 32-year-old deadbeat from Connecticut who used to think that all he ever wanted to do in life was make and play videogames. Matt achieved this goal pretty early and enjoyed it for a while, but eventually realized there might be other stuff he was missing out on. In February of 2003, he quit his job in Brisbane, Australia and used the money he'd saved to wander around Asia until it ran out. He made this site so he could keep his family and friends updated about where he is.
A few months into his trip, a travel buddy gave Matt an idea. They were standing around taking pictures in Hanoi, and his friend said "Hey, why don't you stand over there and do that dance. I'll record it." He was referring to a particular dance Matt does. It's actually the only dance Matt does. He does it badly. Anyway, this turned out to be a very good idea.
A couple years later, someone found the video online and passed it to someone else, who passed it to someone else, and so on. Now Matt is quasi-famous as "That guy who dances on the internet. No, not that guy. The other one. No, not him either. I'll send you the link. It's funny."
The response to the first video brought Matt to the attention of the nice people at Stride gum. They asked Matt if he'd be interested in taking another trip around the world to make a new video. Matt asked if they'd be paying for it. They said yes. Matt thought this sounded like another very good idea.
In 2006, Matt took a 6 month trip through 39 countries on all 7 continents. In that time, he danced a great deal.
The second video made Matt even more quasi-famous. In fact, for a brief period in July, he was semi-famous.
Things settled down again, and then in 2007 Matt went back to Stride with another idea. He realized his bad dancing wasn't actually all that interesting, and that other people were much better at being bad at it. He showed them his inbox, which, as a result of his semi-famousness, was overflowing with emails from all over the planet. He told them he wanted to travel around the world one more time and invite the people who'd written him to come out and dance too.
The Stride people thought that sounded like yet another very good idea, so they let him do it. And he did. And now it's done. And he hopes you like it.
Matt lives in Seattle, Washington with his girlfriend, Melissa, and dog, Sydney. He hasn't had a real job since Stride called him up. Matt doesn't mind working, but he doesn't much care for having to show up at the same place every day.
Matt is not rich. Matt also doesn't have some magical secret for traveling cheaply. He does it pretty much the same way everybody else does.
Matt thinks Americans need to travel abroad more.
Matt was a very poor student and never went to college. When he got older, he was pleased to discover that no one actually cares. Matt doesn't want to imply that college is bad or anything. He's just saying is all. There's other ways to fill your head.
Matt is left-handed.
When Matt was younger, he could hang seven spoons on his face at once. Sadly, puberty made Matt's face less conducive to spoon-hanging.
Matt's Xbox Live screen name is BadDancer. He plays a lot of Rock Band.
Matt has a little piece of extra cartilage sticking out on the rim of one ear and a little hole in the same place on the other ear. Since saying so on this page, he's been informed that the extra piece of cartilage is called a Darwinian Tubercle. Matt thinks this is pretty much the greatest name for anything ever.
Matt has never lost a staring contest.
novembro 09, 2008
Tenho saudades tuas
Do mesmo modo que não gosto de me referir a ti no passado. De me corrigir porque aplico erradamente um tempo presente.
Custa-me que não seja presente.
Luisa, a ama
E isso lembra-me... tive de certo modo uma Nanny McPhee, mas a minha chamava-se Luísa. Era parecida com a Eva Wilma, mas mais gordinha. Quente, corpo de mãe. Gostava tanto da Luísa...
A minha mãe foi dondoca até ao ano em que nasci. Até 80, dedicou-se a passear com os filhos, comprar-lhes roupas, tirar-lhes fotografias lindas no parque eduardo VII empoleirados em troncos de árvores e depois revelá-las, tornando-os mais louros, mais angelicais (os meus irmãos sempre foram lindos, mas bem que se lixa que o mais lindo é o mais moreno de todos). Ler-lhes em inglês, francês e mais alguma coisa (português, quiça... com sorte) tiradas pseudo-intelectuais que segundo ela são responsáveis pelo grau de inteligência dos filhos (dos 4 primeiros)... não sei bem o que isso diz de mim, na sua opinião.
A partir de 80 foi para a empresa do pai, prevenir o desfalque perpetrado pela ovelha negra da família (todas têm uma).
Eu, desde que tenho memória, me vejo no escritório a olhar atentamente o meu pai. Rodeado de luzes amareladas, quentes, a ler. Ou então com a Luísa... a pedir-lhe para me ensinar a coser, a passar a ferro, a tricotar. Desde pequena que sou estúpida, deve ter sido à conta do pouco Baudelaire.
A Luísa era de certo modo a minha mãe. Por ela tinha o amor que penso ser normal sentir-se por uma mãe. Com a minha mãe sempre foi mais uma veneração, parcimoniosa, distante como convém.
Lembro-me de estarmos de férias, e a ir pôr de bicicleta à estação do estoril, onde diariamente apanhava o combóio de volta para casa. Acho que sempre fui uma criança meio inadequada. Não me sentia bem com quem devia. Era com aquela velhinha meiga e calorosa, que me sentia melhor. A pregar-lhe sustos, a dar-lhe e receber beijinhos, a ouvi-la, a aprender dela as coisas mais idiotas e nocivas, que ainda hoje são as que me aquecem o coração de recordar... carcaça com manteiga e açucar por exemplo...
Quando eu tinha uns 8 anos, ela foi-se embora, por motivos dela (a família dela afinal não éramos apenas nós). Lembro-me de uma vez dizer à Luísa que ela podia ficar a morar connosco. Ela e a minha mãe sorriram-se e tomaram por altruísmo o que era o mais profundo egoísmo.
Nunca mais soube dela. Não é compreensível para quem não viva na minha pele e não tenha vivido a minha infância na minha pele, mas nunca lhe telefonei por vergonha. Vergonha de pedir à minha mãe o telefone da Luísa, vergonha de pedir para telefonar à Luísa. Não me recordo de ter vergonha de falar com a Luísa. Ia sabendo notícias quando a minha mãe falava nela, por lhe telefonar ou vice-versa.
Talvez com uns 15 anos tenha sido a primeira vez que tive coragem de perguntar pela Luísa. A última vez que perguntei, talvez há uns 6 anos, a minha mãe já não me soube responder.
Será sempre a velhinha de 60 e qualquer coisa anos que faz uma das minhas primeiras memórias, que faz as minhas melhores memórias.
Fui ver, era o domingo
É como as avós, gostava de ter tido uma assim...
This is the end, beautiful friend
novembro 07, 2008
novembro 06, 2008
Culinária microbiológica
E não tinha saudades.
A bem dizer, acho que estive doente há pouco mais de um ano, daquelas amigdalites horríveis que não nos deixam sequer deglutir a saliva sem um sofrimento (e por isso constante).
Mas apaguei isso da minha memória. Apago sempre, porque regra geral tenho uma gripe forte por ano... antes era na altura do estágio de Pediatria (metermo-nos dentro de uma caixa de Petri teria efeitos menos deletérios), agora é quando contacto com uma criancinha qualquer que teime em espirrar-me para cima ou afim doçura.
E assim foi... eu gosto (muito) de crianças, mas na 2ª feira às 8am, estava eu a iniciar a volta ao banco, começo a sentir-me incomodada por um som repetitivo...
Fui ver, era a tosse (não convulsa, mas pelo menos compulsa) do filho de uma enfermeira (óptimo sítio para trazer crianças btw... maravilhoso!)... sem mãozinha à frente, dele ou de alguém com obrigação de ter bom senso (e educação), sem dó nem piedade... milhares e milhares de gotículas de sabe-se lá qual bicho vindas directamente para cima de mim.
Juntam-se-lhe noites mal dormidas, junta-se-lhe uma manhã num frigorífico de sala a enregelar e dá nisto.
Temperar a gosto e bom proveito!
A crise (conclusão)
Tive direito a ir duas vezes seguidas à casa que queria ver.
A primeira, na qual fiquei no parque à espera que aparecesse alguém até achar que o atraso já era oficialmente incorrecto socialmente, após o que peguei no telefone e fiquei a saber que o senhor da imobiliária tinha feito a proeza de me confirmar (taxativamente) que a visita era no próprio dia, mas na verdade ela ser no seguinte.
Muito danada fui-me embora e nem dei certezas de poder ver a casa no dia seguinte.
Mas porque sou uma fácil, o interesse é meu e há orgulhos que são mera estupidez, lá fui eu ver a casa 2ª (1ª) vez.
E ainda bem... é bem possível que venha a ser a minha casinha...
outubro 30, 2008
A crise
Diz-que quem quer comprar é um achado e cai tudo em cima...
Diz-que o mercado imobiliário está especialmente afectado pela recessão, e que ninguém consegue vender nada...
Alguém me explica então porque é que os vendedores se fazem difíceis para mostrar as casas e eu é que tenho andar atrás das agências imobiliárias que ficaram de me telefonar para saber se a visita está confirmada ou não?!
Crise por crise, não é por isso que o português deixa de ter a sua aversão a trabalhar.
outubro 29, 2008
Definitivamente é estreito...
- Desculpa?....
- Aquilo fecha a que horas?
- Zé, meteste a Password?
- Sim! Quer dizer, copiei a da Maria de Lurdes.
- E não entra?
- Não, pá!
- Hmmm....deixa-me ver... qual é a Password dela?
- Cinco estrelinhas...
- Oh, Zé!....Bom, deixa lá agora isso, depois eu explico-te. E o resto, funciona?
- Também não consigo imprimir, pá! O computador diz: 'Cannot find printer'! Não percebo, pá, já levantei a impressora, pu-la mesmo em frente ao Monitor e o gajo sempre com a porra da mensagem, que não consegue encontrá-la, pá!
- Vamos tentar isto: desliga e torna a ligar e dá novamente ordem de impressão.
Sócrates desliga o telefone. Passados alguns minutos torna a ligar.
- Mariano, já posso dar a ordem de impressão?
- Olha lá, porque é que desligaste o telefone?
- Eh, pá! Foste tu que disseste, estás doido ou quê?
- Dá lá a ordem de impressão, a ver se desta vez resulta.
- Dou a ordem por escrito? É um despacho normal?
- Oh, Zé... Foooooodasss... Eh, pá! esquece.... Vamos fazer assim: clica no 'Start' e depois...
- Mais devagar, mais devagar, pá! Não sou o Bill Gates...
- Se calhar o melhor ainda é eu passar por aí... Olha lá, e já tentaste enviar um mail?
- Eu bem queria, pá! Mas tens de me ensinar a fazer aquele circulozinho em volta do 'a'.
- O circulozinho...pois.... Bom... vamos voltar a tentar aquilo da impressora. Faz assim: começas por fechar todas as janelas, Ok?
- Espera aí...
- Zé?...estás aí?
- Pronto, já fechei as janelas. Queres que corra os cortinados também?
- Fooodasss Zé.... Senta-te, OK? Estás a ver aquela cruzinha em cima, no lado direito?
- Não tenho cá cruzes no Gabinete, pá!...
- óóóóóóóóóóóóólha para a porra do monitor e vê se me consegues ao menos dizer isto: o que é que diz na parte debaixo do écran?
- Samsung.
- Eh, pá! Vai pró....ca
- Mariano?... Mariano?... 'Tá lá?... poooorrrrraaaa o que é que lhe deu?... Desligou....
outubro 28, 2008
Esqueletos no armário
Começou por um, o travian. Neste, podemos construir aldeias, torná-las independentes, defendê-las contra os jogadores mais avançados que nos vêm roubar os recursos para também eles crescerem (mas a outro nível... eles são muit'à frente).
Passamos essa fase, começamos nós a atacar os mais pequeninos (uma espécie de cadeia alimentar) para crescer nesse nível já mais à frente. É giro, engraçado... para quem gosta de estratégia. É uma espécie de um tamagoshi à escala da world wide web.
Pela constante ameaça de ter alguém a atacar-nos e levar-nos os recursos, ou de produzirmos recursos de modo a preencher o nosso espaço de armazém e outras questões prementes, acaba por se tornar uma certa dependência... chegamos a casa e nem "olá mãe, olá cão, olá amor"... qual quê... é directamente para o computador!
No entanto para quem trabalha ao computador diariamente é um jogo fácil de gerir... De quando em vez vai-se espreitar o menino. Não é o meu caso, por isso passo a vida stressada a correr para o computador.
De um café na esplanada do CCB, fazem já uns 2 meses mais ou menos, surgiu o outro vício. Um jogo que já metia recursos diferentes (cristal, enxofre?! deve ser interessante), que tinha frotas, fazendo supor que havia água (boa!)... novas dimensões, tenho que experimentar.
Assim foi, lá fui eu para o Ikariam. A grande maioria das pessoas que foi comigo para este (basicamente os monguitos do travian) não lhe achou piada... Eu achei. Apesar de muito mais lento, é mais complexo. E gostei e fiquei.
E recomendo.
outubro 27, 2008
It IS, It IS!...
outubro 16, 2008
outubro 13, 2008
The true balance sheet of US Investment banks
On the left side, there is nothing right.
And on the right side, there is nothing left.
outubro 11, 2008
Aforismo
outubro 01, 2008
Retro/introspecção
O único momento de indecisão da minha vida profissional e quase que por impulso fiz a escolha certa. Eu que não ajo por impulsos... makes you wonder...
Talvez não fosse a única escolha acertada, mas certo é que vibro com o meu dia-a-dia. Por vezes com receio, por vezes com emoção pura. É engraçado, é refrescante e nada tem de rotineiro, apesar de envolvido numa obrigatória rotina de "acordar-banho-pequeno-almoço-carro-hospital" sempre (ou quase sempre) à mesma hora...
Mesmo que cansada, mesmo que cheia de vontade de ficar a dormir mais umas horas, arrastar-me para o serviço, e de repente posso estar no bloco quando não era suposto porque um doente agravou, porque apareceu um tempo de bloco, ou simplesmente porque um chefão tem mais que fazer e são precisas duas mãos ansiosas apesar de inexperientes.
E todos os momentos em que me cortam as asas por ser maçarica, novata, sinto-me um bocadinho triste... sei que sei fazer, sei que sou capaz de o fazer... mas compreendo, claro. É uma certeza interna, sem nada que o comprove. Sei que se me sentir insegura no que faço eu própria paro e peço ajuda. Mas quase que sonho com o momento em que me deixarão fazer tudo do início ao fim, o fácil e o difícil...
Jovem adulta do restelo
Gosto da minha língua, gosto verdadeiramente. Julgo que sou apaixonada por ela... dói-me na alma que seja delapidada, com consentimento do representante do país. Não é meu representante, nem votei nele, nem ele é representativo do país em que vive, mas isso são pormenores.
"Para que a língua portuguesa não se perca" por sermos uma minoria face aos outros falantes do português... brasileiro não é português. E a língua morre aos poucos e poucos com os erros generalizados, tal como com os facilitismos que pretendem que os erros desapareçam.
Transtorna-me que o acordo seja assinado e pronto: "passem a escrever mal e não se fala mais nisso"...
Gostaria de parabenizar o sr. primeiro pela sua eterna arrogância, e gostaria também de parabenizar a inteligente escolha de quem lhe deu maioria hegemónica.
setembro 25, 2008
E=mc2
setembro 17, 2008
All's well... once more
- Fui ver a Madonna a 14
- Tive uma apresentação a 15
- Banco "como chefe de equipe" (de mim mesma) a 16...
Crescer cansa.
agosto 31, 2008
Domingo perfeito
- Ser recebida com pingos de felicidade (felizmente do cão, apesar de tudo...);
- Vir passear o Argos, exultar na sua felicidade parva de cachorro;
- Ver o meu petiz, no meio de brincadeiras e cabriolas, escorregar nas lajes da fonte luminosa e cair num fosso;
- Ver o dito petiz, com água pelo pescoço, a levar com água como se de uma cascata, desorientado e perdido;
- Ver a minha sina, por-me debaixo dessa cascata, e salvar a criança;
- Perguntar-me porque não teria vestido roupa menos branco ou pelo menos mais opaca;
- Atravessar a alameda com o petiz feliz da vida, histérico na verdade, para o vir entregar a casa;
- A felicidade de um lugar à porta de casa, e finalmente banho...
agosto 21, 2008
You haven't heard it from me
A versão oficial é que foi um laringoscópio que fez curto-circuito e pegou fogo à sala de exames e arquivos (vulgo sala de médicos)...
Through the grapevine, ouvi dizer que se fuma dentro daquela sala, que fecharam a porta da sala de médicos e só se deram conta que cheirava mal na dinamarca quando a janela da porta rebentou com o calor...
All's well
Tenho a marca indelével da falta de civismo e de jeito para a condução no meu Boguinhas. Ele estava bem estacionado... com espaço mais que suficiente para pasagens e manobras à volta dele. Agora, tem não só um risco (na verdade uma risca... ou uma banda... qualquer coisa que corresponda a um risco de 1 cm de largura...) imenso no pára-lamas dianteiro, como também tinta estalada e chapa metida para dentro, tudo graças a uma mesma manobra estranha.
Digo estranha porque não bastava fazer a curva apertada demais para me fazer isto ao carro, era preciso encostar ao meu carro, guinar para cima dele, avançar, depois guinar na direcção contrária sob pena de ir bater ao prédio de esquina... eu tenho destas sortes. Obviamente que não houve assumpção de culpas, no limpa pára-brisas tinha apenas poeira acumulada...
Com este fenómeno, esqueci o meu namoro com o Beetle descapotável. Não quero um carro novo. Vou curtir esta relação até que a morte nos separe (esperemos que a dele primeiro que a minha), ou até ter filhos e ter que zelar pela sua segurança rodoviária (sim, o meu boguinhas não é o carro mais reforçado em termos de segurança, mas eu gosto muito dele), whichever comes first.
E para aprofundar o romance entre nós os dois, levei-o a um spa. Enquanto espero que me respondam à reserva do meu, levei o meu miúdo ao salão de beleza e saiu um brinco.
Comme il faut, porque a tradição afinal ainda está para as curvas (ao contrário do nosso amigo que iniciou todo este affair), prontamente o tempo mudou e há-de chover em cima do meu bebé... ele gosta, é um miúdo rijo, rebelde... ele queria ser um carro de rally...
agosto 15, 2008
De livre e espontânea vontade
Mas adiante, o casamento... foi o casamento mais lindo que já vi, os de filme incluídos. Não pela cerimónia, não pelo planeamento... simplesmente porque eles são um casal lindo, feitos um para o outro, namorados há 8 anos e apaixonados um pelo outro como no primeiro dia.
Adoro-os, indissociaveis enquanto casal, lindos...
agosto 08, 2008
Discorre para aí se queres ver [*]
Para me descansar os ânimos, fui à saúde ocupacional (não é a minha médica de família, mas também gosto muito dela), fiz umas "análses" e não tenho nenhuma grande patite v em cima... nem v, nem c... é um descanso! Nem foi preciso cortar para trás, porque não tenho nem tive... (se não percebeu nada desta conversa, está na hora de descobrir a luz: eis a luz). É que com tanta picadela, com tanto esguicho de sangue e afins, já podia *ouch*, mas com a graça de nosso senhor jesus cristo, não... saudável como um pêro.
Ainda consegui fazer com que se calibrassem as máquinas de BMs do serviço, porque as p**** resolveram chamar-me diabética... calúnias! Calúnias, que tenho tudo no sítio!! (falando de valores laboratoriais, claro está...)
[*] se queres ver: expressão idiomática (do feijó ou coisa que lho valha), que é supé... não sei porquê, mas gosto! Está a par e passo com o palitinho no canto da boca, o "mmttt mttt" a sacar o fio de carne de entre os dentos, a unhaca multiusos... se queres ver!
julho 30, 2008
House buster
Comemorando este facto, ou simplesmente porque sim, fui às tapinhas (que por enquanto não doem)... no Luca tapas bar.
Comi bem, mas bem! Tudo simplesmente magnífico! E quem não me conhece não sabe o prazer que eu tenho na comida, seja a fazê-la, seja a comê-la... foi aquele momento perfeito: beringelas grelhadas, courgettes grelhadas, tomate seco, pastas várias de vegetais vários... e isto o que me fascinou mais, porque havia para todos os gostos...
As margherittas eram optimas tambem!! Perfeitas, nada falhou... confesso que teve pena de ficar cheia. Não, não foi satisfeita, foi cheia mesmo....
E é para fumadores!!!! O que é que se pode querer mais?! Come-se que nem um urso, e depois fuma-se o belo cigarro pós-prandial... há momentos na vida que se recordam para sempre...
Agora estou imune, e nunca mais lá quero voltar... :
julho 29, 2008
Lei das séries
Lado positivo, e irónico, descobri ontem porque recebo tão pouco nas noites dos bancos de semana... aliás, descobri que a minha especialidade é um bocado chulada nos bancos... as horas que para os outros são extraordinárias, para nós são incómodas...
Quer-se dizer, além de recebermos menos ainda somos privados de 12 horas fantásticas?!
julho 26, 2008
3 down, 2 more to go
Esta 2ªf vem a próxima, depois sábado e depois férias! De bancos pelo menos...
julho 24, 2008
In Pod we trust
Com passagem e hotel reservado.
E apresento-vos o hotel, a coisinha mais fofa e mais boa onda... amei, fiquei fã.
E lá vou eu, só faltam 2 meses, 1 semana de férias nos entretantos, 1 aniversário para ficar mais madura (como o vinho, não como a banana) e vários bancos para os cabelos brancos... diz que é sexy... eu descobri o meu primeiro há uns meses (poucos).
E com sorte, na semana de férias com que fico depois do curso de internos ainda dou um saltinho a Amsterdão... se não, dou um saltinho a outro lado qualquer, parada é que não fico...
julho 19, 2008
O prazer nas pequenas coisas
Hoje, perdi conta do tempo, num banho (frio), um copo de vinho verde (fresco), um maço de tabaco e a eliane elias a cantar o mais soft jazz.
E soube bem, e estou a pensar torná-lo um ritual de domingo (e pode já começar amanhã)...
julho 17, 2008
Never ending day
Não me habituei ainda a esta coisa de 24h a trabalhar, sobretudo porque tenho uma certa dificuldade em adormecer assim por tudo e por nada. Dormir para mim é para dormir mesmo, não para estar a fechar os olhos e ser chamada de 5 em 5 minutos, ou em bons dias de 30 em 30.
E ontem até acho que adormeci por 5 minutos... finalmente, depois de quase meia hora deitada, fechei os olhos e sucumbi ao cansaço às 2 e muito... Ainda não eram 3am quando bipparam e chamaram e lá fui eu... e pronto, estão-me a pagar para isso, não me posso queixar! Todos esses maravilhosos €32 e trocos que me valem essas horas da minha vida... *tough* (próxima pessoa que me disser que os médicos recebem bem pelas noites perdidas, cuspo-lhe na cara, beware!)
E com este calor é impossível dormir ao chegar a casa... sobretudo sendo que graças ao respeito mútuo entre colegas, estive 1h e tal além do esperado à espera que me viessem render. Interno sofre, mas interno de 1º ano sofre mais do que qualquer outro...
Conclusão, fui para a praia. Pensando que poderia fazer uma sorninha boa ao sol. Poderia ter pensado melhor nisso, porque com o calor que estava passei o tempo a correr para a água... já para não falar que levei o Argos e aquelo bicho é um desassossego, não deixa ninguém fechar os olhos sequer.
Enfim, hoje é noite de galinheiro... já de banho tomado, bem untada (porque vá-se lá perceber como mas apanhei um pequeno escaldanito, o 1º do ano, apesar de já ter uma boa cor e ter posto protector como sempre), pijama vestido, é jantar e cama.
Durmam bem!*
julho 14, 2008
Sexual Nationality
Eu curto ao som dos abba, a 89%, e repetindo o teste com outras perguntas (experimentem várias vezes) 88% Congolesa (não Condolezza) go figure... arrisco que sorte a minha gostar mais de gelado do que de goulash...
Não muito informativo, mas engraçado.
julho 13, 2008
Night out
Antes era uma coisa essencial à vida. Quando tinha os meus 16, até aos 20 possivelmente, era incapaz de passar um fim-de-semana sem sair 6ª e sábado, dançar até de manhã. Era a loucura. Não que tivesse mais energia que hoje em dia, mas a música também era diferente. E o álcool ajudava... pois, que essa é a maior dimensão da noite que muda com os tempos.
Tristemente, com a idade em que menos podemos, é que o sair à noite é mais acerca de beber, apanhar bebedeiras, ficar com os copos. Quando ganhamos idade para ter juízo, já perdemos parte de todo o que poderíamos ter, não tivessemos andado a beber quantidades industriais de bebidas alcoólicas enquanto teenagers.
Mas com a idade aprende-se a gostar de determinadas bebidas, surgem outras que são a nossa bebida favorita, e como os nossos pais bebiam o seu gin tónico, nós bebemos o que quer que seja (inclusive gin tónico *blargh*), no meu caso o vodka black, com o prazer de quem bebe um refresco. Com a voracidade de quem bebe um refresco também. Felizmente com o fígado trabalhador de quem já bebeu de tal forma tantos "refrescos" que já encaixa bem a frescura em demasia.
Mas há uma coisa da idade adulta (diga-se a minha, vá... condescendendo) que não se coaduna com saídas à noite de grande folia. São as insónias matinais do trabalhador habituado à rotina de madruga. Convenhamos que não tem piada dormir 3h e acordar com o sabor do último vodka na boca, com a leveza na cabeça que tínhamos quando nos deitámos e com a dor de cabeça que nem sabemos bem a que atribuir, se ao álcool se à privação de sono.
E assim se explica a minha verborreia. É que desconfio que ainda estou ligeiramente ébria...
Adiante, o que me causa pruridos ao sistema (como quem diz, o que me faz comichão) é a constatação, por interposta pessoa, que sou uma cota. Com 27 anos sou uma cota. Não que assim me sinta, mas o desfazamento de mim para os outros é tal, que me sinto uma cota. Só vejo miudagem à minha volta.
E é isso que nos torna velhos, ou nos faz sentir assim. Não a idade, não as rugas, não o cansaço, não... é a falta de identificação com aqueles que consideramos jovens. É a identificação, demarcada a tinta da china, do generation gap.
E nisso a minha geração está bem lixada, porque nos vamos sentir todos mais velhos muito mais cedo, porque nunca em tempo algum alguma geração teve tão pouco a ver com as anteriores quanto a de actuais teenagers. Romperam de tal forma com os moldes que nem a geração imediatamente antes se identifica com ela. Eu identificava-me com os meus irmãos, da minha irmã mais velha que eu 10 anos até ao mais velho 2 anos que eu. Tive uma vida em praticamente tudo semelhante às deles. Passados 5 anos poucas semelhanças acho entre mim e os teenagers de hoje... pior, se eu me recordar de quando tinha a idade deles (e isto pode ir até aos 20s se preciso for) não há semelhanças no modus vivendi.
É assustador.
Assusta assistir à preversão dos valores morais, saber que os nossos pais se preocupavam connosco do mesmo modo, e no entanto saber que não tem nada a ver. Porque tanto quanto é possível prever tendo em conta a opinião transversal relativamente à prostituição desde que temos uma "sociedade", segundo sei nunca virá a ser considerado íntegro ou digno fazer prostituição em troca de carregamentos de telemóvel.
Sexo em público é uma situação quanto à qual já não sei o que dizer... pode vir a ser considerado fixe...
"Bebi literalmente uma morangoska!"
O que é literal, o beber («Bebi, literalmente, uma morangoska») ou a morangoska em si («bebi, literalmente uma morangoska»)?... dinâmica complexa! Complexíssima... E o que é beber literalmente, ou literalmente beber? Beber, tout court, certamente...
Por outro lado, se for a morangoska o alvo desta literalidade, o que é uma morangoska literal?! Estarei certamente toldada, de horizontes limitados por não alcançar esta conclusão de modo quase intuitivo... certamente.
Por oposição, temos o aspecto figurativo da questão... bebi figurativamente uma morangoska... pois... na prática não se bebeu, simplesmente se passeou com ela na mão porque é cor-de-rosa e bonita e é fresquinha na mão! Ah... pois... os opostos e negações elucidam-nos tanto por vezes.
A criança bebeu, portanto, a morangoska. Que se calem as vozes de ignomínia, os falsos testemunhos, cheios de escárnio e más intenções... a criança bebeu, Bebeu!, a morangoska.
Literalmente...
E isso faz toda a diferença.
julho 10, 2008
Os cães d'água portugueses versus os meus
Chama-se Argos, o segundo, e é um cão d'água português... como o meu anterior cão d'água, não é muito fã de água na sua forma mais rebelde, no mar... o que é uma espécie de contradição, uma vez que a raça foi criada e desenvolveu-se em paralelo à actividade piscatória deste nosso país à beira-mar plantado. Eram os cães d'água que se uma rede tresmalhasse, saltavam do barco e iam em profundidade apanhar a rede e devolvê-la ao dono/pescador... saltavam igualmente para um mar revolto se alguém nele caísse, para os ajudar a vir à tona e assim salvar o dia.
O meu tem medo das ondas, acha a água muito fria e se eu me afasto mais que 2 metros dele com ele na água começa a chorar...
Em oposição, dêem-lhe chafarizes, regadores de relva, qualquer poça ou forma de água estagnada e ele está lá, a fazer juz ao nome!



