novembro 25, 2008

novembro 16, 2008

5ª feira negra

Irrita-me a arrogância de se pretender entender os outros a partir de nada. Sempre me irritou. Provavelmente porque várias vezes sou alvo dela, uma vez que opto por não me dar de barato a toda a gente.

Presumir que se conhece alguém, ter por garantido, a certeza que se conhece alguém... essa certeza, quase sempre arrogante, irrita-me.
Por vezes, quando baseada em observação (da pessoa, dos gestos e atitudes), o que revela que de facto se investiu alguma coisa nesse conhecimento, é tolerável, muito embora pese sempre o facto de nos despir frente ao outro... e naturismo é bom para quem gosta.

E isto surge-me porque me incomoda a visão que a população em geral forma acerca da classe médica. Adquirida recentemente, à laia de séries de TV, de media sensacionalistas, de (des)conhecimentos veiculados pela internet quando não há capacidade (leia-se formação científica) para compreender e digerir.

Os médicos são ricos.
Os médicos fazem greve porque querem ir de férias, ao contrário dos restantes trabalhadores que fazem greve porque o patronato os vilipendia.
Irrita-me... irrita-me porque a verdade é que os médicos até são a classe que menos abusa do direito à greve em portugal. Pois, mas é porque são ricos...

O médico é bestial quando nos confirma doenças, quando nos passa baixas, quando nos passa receitas (de preferência com antibióticos, que se entendem como panaceia universal não sei bem porquê), quando nos põe em lista de espera para uma cirurgia da qual não precisamos... passa a besta assim que nos recusa seja o que for com que vamos fisgado ao pedir a consulta.

98% do trabalho de um médico (excepção feita a algumas especialidades) não é curar, é averbar saúde, assegurar as pessoas de que estão sãs. Na minha curta experiência (de aproximadamente 4 anos), poucos foram os que encararam bem essa notícia. Estranhamente preferiam estar doentes. Agora vão dizer o quê aos amigos e vizinhos? Que são mariquinhas porque se queixam e na verdade não têm nada?!

A saúde já não é um bem precioso, não dá conversa, não gera empatia...

Não fumar mata

É sempre bom alguém estar sóbrio, alguém para guiar os cegos.
Alguém para se meter no meio da confusão, para separar as partes... com sorte é ele que sai lesado.

novembro 15, 2008

Hímen

Na nossa sociedade, longe vão os tempos da desonra vinda da ausência de uma mancha rubra nos lençóis matrimoniais... já não dispomos do costume bárbaro da exibição de tal troféu à janela, ou do repúdio da mulher que não o proporcionasse.

Os pudores com a iniciação sexual têm-se vindo a dissipar, ao longo dos tempos e gerações. Actualmente estranho é esperar-se até ao casamento... mais, na geração adolescente (e pré-adolescente) actual, estranho é esta iniciação não se dar pelos 12anos ou antes.
E eu recordo-me de considerar uma das minhas melhores amigas uma doida por a idade que a definia enquanto pessoa (os adolescentes são estúpidos, ou pelo menos incapazes de ver o grande cenário) ser 13 anos...

Mas esta liberdade sexual precoce tem características específicas. Estranhamente, nos dias de hoje, as preocupações dos jovens não são as doenças sexualmente transmissíveis... eu não entendo como é possivel que quase 30 anos depois dos primeiros casos e 20 depois de ser conhecida e reconhecida como tal, os comportamentos sexuais não estejam ainda sujeitos a um temor pela infecção com o VIH (não falando dos restantes, alguns dos quais igualmente crónicos e condicionantes da vida futura).

Não há actualmente uma alma que não saiba como se transmite e como se pode evitar essa transmissão, no entanto a juventude de hoje em dia não se preocupa com isso.
Preocupa-se com o que todas as adolescentes sempre se preocuparam, com a gravidez indesejada. Revolta-me e preocupa-me, mas é um facto.

A geração de jovens raparigas no início da sua adolescência ou na sua pré-adolescência demonstra uma preferência (exigência) pelo sexo anal como método de contracepção. Sem preservativo, como se supõe, ou a contracepção não seria uma questão (duvido que se estejam a preocupar com os 2% de falibilidade).

Os tempos que correm devolvem a importância perdida à virgindade física da mulher, que volta a ser guardada. Não pela sociedade, mas pela própria mulher, que volta a "guardar-se" para o casamento, ou pelo menos para alguém especial... é quase poético...

novembro 13, 2008

Who the hell is Matt?!

Quando vi o primeiro filme pela primeira vez, há uns anos, vieram-me as lágrimas aos olhos. A beleza por vezes tem esse efeito... Eis o Matt, e os seus novos filmes.

Matt is a 32-year-old deadbeat from Connecticut who used to think that all he ever wanted to do in life was make and play videogames. Matt achieved this goal pretty early and enjoyed it for a while, but eventually realized there might be other stuff he was missing out on. In February of 2003, he quit his job in Brisbane, Australia and used the money he'd saved to wander around Asia until it ran out. He made this site so he could keep his family and friends updated about where he is.
A few months into his trip, a travel buddy gave Matt an idea. They were standing around taking pictures in Hanoi, and his friend said "Hey, why don't you stand over there and do that dance. I'll record it." He was referring to a particular dance Matt does. It's actually the only dance Matt does. He does it badly. Anyway, this turned out to be a very good idea.
A couple years later, someone found the video online and passed it to someone else, who passed it to someone else, and so on. Now Matt is quasi-famous as "That guy who dances on the internet. No, not that guy. The other one. No, not him either. I'll send you the link. It's funny."
The response to the first video brought Matt to the attention of the nice people at
Stride gum. They asked Matt if he'd be interested in taking another trip around the world to make a new video. Matt asked if they'd be paying for it. They said yes. Matt thought this sounded like another very good idea.
In 2006, Matt took a 6 month trip through 39 countries on all 7 continents. In that time, he danced a great deal.
The second video made Matt even more quasi-famous. In fact, for a brief period in July, he was semi-famous.
Things settled down again, and then in 2007 Matt went back to Stride with another idea. He realized his bad dancing wasn't actually all that interesting, and that other people were much better at being bad at it. He showed them his inbox, which, as a result of his semi-famousness, was overflowing with emails from all over the planet. He told them he wanted to travel around the world one more time and invite the people who'd written him to come out and dance too.
The Stride people thought that sounded like yet another very good idea, so they let him do it. And he did. And now it's done. And he hopes you like it.
Matt lives in Seattle, Washington with his girlfriend, Melissa, and dog, Sydney. He hasn't had a real job since Stride called him up. Matt doesn't mind working, but he doesn't much care for having to show up at the same place every day.

Matt is not rich. Matt also doesn't have some magical secret for traveling cheaply. He does it pretty much the same way everybody else does.
Matt thinks Americans need to travel abroad more.
Matt was a very poor student and never went to college. When he got older, he was pleased to discover that no one actually cares. Matt doesn't want to imply that college is bad or anything. He's just saying is all. There's other ways to fill your head.
Matt is left-handed.
When Matt was younger, he could hang seven spoons on his face at once. Sadly, puberty made Matt's face less conducive to spoon-hanging.
Matt's Xbox Live screen name is BadDancer. He plays a lot of Rock Band.
Matt has a little piece of extra cartilage sticking out on the rim of one ear and a little hole in the same place on the other ear. Since saying so on this page, he's been informed that the extra piece of cartilage is called a
Darwinian Tubercle. Matt thinks this is pretty much the greatest name for anything ever.
Matt has never lost a staring contest.









novembro 09, 2008

Tenho saudades tuas

Não gostei de te sentir frio. A mão fria, a cara fria, gelada.
Do mesmo modo que não gosto de me referir a ti no passado. De me corrigir porque aplico erradamente um tempo presente.
Custa-me que não seja presente.

Luisa, a ama

E isso lembra-me... tive de certo modo uma Nanny McPhee, mas a minha chamava-se Luísa. Era parecida com a Eva Wilma, mas mais gordinha. Quente, corpo de mãe. Gostava tanto da Luísa...

A minha mãe foi dondoca até ao ano em que nasci. Até 80, dedicou-se a passear com os filhos, comprar-lhes roupas, tirar-lhes fotografias lindas no parque eduardo VII empoleirados em troncos de árvores e depois revelá-las, tornando-os mais louros, mais angelicais (os meus irmãos sempre foram lindos, mas bem que se lixa que o mais lindo é o mais moreno de todos). Ler-lhes em inglês, francês e mais alguma coisa (português, quiça... com sorte) tiradas pseudo-intelectuais que segundo ela são responsáveis pelo grau de inteligência dos filhos (dos 4 primeiros)... não sei bem o que isso diz de mim, na sua opinião.

A partir de 80 foi para a empresa do pai, prevenir o desfalque perpetrado pela ovelha negra da família (todas têm uma).

Eu, desde que tenho memória, me vejo no escritório a olhar atentamente o meu pai. Rodeado de luzes amareladas, quentes, a ler. Ou então com a Luísa... a pedir-lhe para me ensinar a coser, a passar a ferro, a tricotar. Desde pequena que sou estúpida, deve ter sido à conta do pouco Baudelaire.

A Luísa era de certo modo a minha mãe. Por ela tinha o amor que penso ser normal sentir-se por uma mãe. Com a minha mãe sempre foi mais uma veneração, parcimoniosa, distante como convém.

Lembro-me de estarmos de férias, e a ir pôr de bicicleta à estação do estoril, onde diariamente apanhava o combóio de volta para casa. Acho que sempre fui uma criança meio inadequada. Não me sentia bem com quem devia. Era com aquela velhinha meiga e calorosa, que me sentia melhor. A pregar-lhe sustos, a dar-lhe e receber beijinhos, a ouvi-la, a aprender dela as coisas mais idiotas e nocivas, que ainda hoje são as que me aquecem o coração de recordar... carcaça com manteiga e açucar por exemplo...

Quando eu tinha uns 8 anos, ela foi-se embora, por motivos dela (a família dela afinal não éramos apenas nós). Lembro-me de uma vez dizer à Luísa que ela podia ficar a morar connosco. Ela e a minha mãe sorriram-se e tomaram por altruísmo o que era o mais profundo egoísmo.

Nunca mais soube dela. Não é compreensível para quem não viva na minha pele e não tenha vivido a minha infância na minha pele, mas nunca lhe telefonei por vergonha. Vergonha de pedir à minha mãe o telefone da Luísa, vergonha de pedir para telefonar à Luísa. Não me recordo de ter vergonha de falar com a Luísa. Ia sabendo notícias quando a minha mãe falava nela, por lhe telefonar ou vice-versa.

Talvez com uns 15 anos tenha sido a primeira vez que tive coragem de perguntar pela Luísa. A última vez que perguntei, talvez há uns 6 anos, a minha mãe já não me soube responder.

Será sempre a velhinha de 60 e qualquer coisa anos que faz uma das minhas primeiras memórias, que faz as minhas melhores memórias.

Fui ver, era o domingo

É possível que esteja deprimida... chorei como uma madalena a ver o final da Nanny McPhee (but then again, gosto tanto da Emma Thompson).


É como as avós, gostava de ter tido uma assim...

This is the end, beautiful friend

... tenho um pelo de sobrancelha branco... alvo como a barba do capitão iglo (e que gira que ela é, na cara do capitão iglo)!!

novembro 07, 2008

Possui-me e cala-te

Cristiano, és podre... mas és burro que nem uma porta...

novembro 06, 2008

Culinária microbiológica

Já não me lembrava o que é estar doente... náuseas, tonturas, cabeça a latejar...
E não tinha saudades.
A bem dizer, acho que estive doente há pouco mais de um ano, daquelas amigdalites horríveis que não nos deixam sequer deglutir a saliva sem um sofrimento (e por isso constante).

Mas apaguei isso da minha memória. Apago sempre, porque regra geral tenho uma gripe forte por ano... antes era na altura do estágio de Pediatria (metermo-nos dentro de uma caixa de Petri teria efeitos menos deletérios), agora é quando contacto com uma criancinha qualquer que teime em espirrar-me para cima ou afim doçura.

E assim foi... eu gosto (muito) de crianças, mas na 2ª feira às 8am, estava eu a iniciar a volta ao banco, começo a sentir-me incomodada por um som repetitivo...

Fui ver, era a tosse (não convulsa, mas pelo menos compulsa) do filho de uma enfermeira (óptimo sítio para trazer crianças btw... maravilhoso!)... sem mãozinha à frente, dele ou de alguém com obrigação de ter bom senso (e educação), sem dó nem piedade... milhares e milhares de gotículas de sabe-se lá qual bicho vindas directamente para cima de mim.

Juntam-se-lhe noites mal dormidas, junta-se-lhe uma manhã num frigorífico de sala a enregelar e dá nisto.

Temperar a gosto e bom proveito!

A crise (conclusão)

Não, a crise não acabou... o que é facto é que a história descrita no post anterior também não se ficou por aqui.

Tive direito a ir duas vezes seguidas à casa que queria ver.

A primeira, na qual fiquei no parque à espera que aparecesse alguém até achar que o atraso já era oficialmente incorrecto socialmente, após o que peguei no telefone e fiquei a saber que o senhor da imobiliária tinha feito a proeza de me confirmar (taxativamente) que a visita era no próprio dia, mas na verdade ela ser no seguinte.

Muito danada fui-me embora e nem dei certezas de poder ver a casa no dia seguinte.

Mas porque sou uma fácil, o interesse é meu e há orgulhos que são mera estupidez, lá fui eu ver a casa 2ª (1ª) vez.
E ainda bem... é bem possível que venha a ser a minha casinha...