abril 29, 2009

abril 28, 2009

I have a dream

Hoje no telejornal falavam da nova geração de crianças, com 1,80m aos 14 anos e a calçar 43. Isto para homens e mulheres.
Estou ansiosa!

Há de chegar o dia, em que o hoje orgulhoso e snob detentor de um pézinho 37 ou 38 vai chegar a uma sapataria e não vai ter o seu número. Vai receber um comentário trocista "37? Não... não fazemos"... e aí a justiça será quase atingida. Digo quase porque andar com uns sapatos grandes demais pode ser desconfortável, mas ao menos não é mutilante como andar com pequenos demais.

Chegará o dia em que cada sapataria deste país e cidade em particular responderá à minha prece! (ou será que continuarão neste percurso autista do "portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40..."??)

Neuroglicopénia

Dói-me a cabeça, tonturas, dor de estômago... finalmente compreendo o conceito genérico de "não sei o que tenho, mas não me sinto bem, não estou em mim". Quer dizer, na verdade não o compreendo porque consegui dar mais informações e mais localizadoras do que isto.

Adiante...
Se calhar é a gripe suína, se calhar a das aves (eu que gosto tanto delas), se calhar a vulgar. Certo é que só tolero líquidos e começo a ressentir-me disso.

Batido de atum, alguém?

abril 21, 2009

Auntie Scrooge

Feitas as contas, ao fim de dois anos de trabalho e sem ajuda de ninguém, tenho umas moedinhas para a caixa-forte... divirto-me a fazer quadros de excel dos meus investimentos, ver o que me rendeu mais e quando e relacioná-lo com a época económica específica. Eu que não percebo nada disto.
Se daqui por outros dois anos tiver o dobro do que tenho agora, prometo que, nem por um só dia, vou levantar tudo só para contar à mão...

É doentio, mas sou apaixonada por dinheiro.

abril 12, 2009

E ainda

Outra tradição que considero idiota: a calçada portuguesa. Não há quem não se derreta com ela, que linda que é... mas reparem que são os estrangeiros que se derretem com ela.
Nós portugueses e sobretudo portuguesas, simplesmente damos por ela, incomodamente, quando ficamos com um salto preso, quando damos um pontapé numa pedra solta, quando tropeçamos numa bossa de um passeio que não foi claramente feito para passeios...

Mas é tradição. Não imaginava, confesso, a minha Lisboa de passeios de cimento, como os de todas as cidades por esse mundo fora que são dotadas de passeios...
É uma tradição, por definição, e como tal por estúpida e pouco prática que seja, é acarinhada, abraçada, defendida.

Uma tradição que corre riscos, pela extinção dos mestres calceteiros... alguém devia explicar à calçada, que nos dias que correm todos querem ter um curso superior e que mestres só de mestrado (mesmo que sobre as excrescências das moscas varejeiras).

Felizmente há o desemprego, que poderá vir a garantir a sobrevivência desta forma de arte urbana, caso a necessidade seja tal que se sobreponha à inércia e orgulho lusos, tão característicos também... certamente tradição.

Meet me in St. Louis

E nesta aversão a tradições e o que as legitima criei uma minha. Mas uma tradição com motivos, factos comprováveis, sem lesar ninguém e agradando (assim espero) a todos.

Fez em Fevereiro 1 ano que entrei para a especialidade. Nessa altura, há 1 ano atrás, levei os meus amigos mais queridos a jantar (nem todos puderam), num gesto de comemoração e partilha de um bom momento. Este ano repetiu-se esse jantar, como uma pancada de calceteiro a garantir que as pedras ficam bem encaixadas.

No do próximo ano, espero conseguir reunir o casal algarvio que falta comparecer a este jantar, já tradição. E que a minha J. mais linda não me venha propor uma alternativa ao restaurante, porque ouviu falar de um que é muito giro e come-se bem e sei lá mais o quê, e compreenda que é uma tradição, e que por isso não se mexe, não se contesta, não se questiona.

Sempre será o que foi

Consome-me um bocadinho, e quem me conhece sabe que eu me consumo com muito e por pouco, a tradição... o conceito de tradição.
Algo que sem qualquer substrato real ou comprovável, passa de geração em geração, inabalável e indestrutível só por ser uma tradição. Acredito que muitos super-heróis de banda desenhada tenham sido criados a pensar apenas nesta entidade...

A tradição... pode-se tentar refutar, defender os direitos dos animais, das crianças... "mas é tradição!" e todos os argumentos válidos caem por terra, ao ribombar deste insólito trovão directamente das mãos de Zeus. Diz que as tradições remontam a essa época (à da mitologia grega... que também é tradição, por assim dizer).

E assim, por ser tradição e isso ser incomensurável no que diz respeito à história e noção de "eu/nós" de uma sociedade, perpetuam-se todas as atrocidades.

Parece que falo da tourada, e podia ser... mas não, falo da Páscoa. Viajei um nadinha na maionese, mas vinha falar da Páscoa. Consome-me de facto que um dia/época que diz respeito a uma religião, que não é única ou soberana perante as outras na nossa sociedade (melhor dizendo: não deveria ser), seja imposto a todos: cristãos, judeus (que por acaso este ano por esta altura também comemoram a sua Páscoa, nada relacionada com cristo - mais uma vez... Porque é que o corrector automático me diz que cristo tem que ser com maiúscula?! Até aqui???), protestantes, hindus, ateus, etc...

Claro está que também é tradição portuguesa não se gostar de trabalhar, seja qual for o credo... daí que ateus, protestantes, cristãos e adoradores do diabo recebam com regozijo a ideia de ter feriados católicos como nacionais. Os nossos valores e crenças pouco se comparam à vontade de não trabalhar, convenhamos.