julho 11, 2009

Acho que estou com a gripe

(manhã de dia 10)

Mámãe - ah estou com pingo no nariz e tosse, foi de apanhar ar condicionado, mas não tenho febre não deve ser de cuidado....
Eu - (táctica do psiquiatra, que funciona bem com a minha mãe) hum-hum...

(depois de parte da tarde passada com mámãe, no meu dia de correria, recebo uma mensagem de voz ao fim da tarde)

Mámãe - ah filha, é para te dizer que estou com febre, por isso se calhar estou com a gripe... tem cuidado contigo...

(no jantar, às 9 e picos, chamada que não ouvi do meu irmão do meio e mensagem escrita... rezava assim)

André - A mamã parece que está com gripe. Liga-lhe. Eu estou no optimus alive.

(em grande estilo e altamente típico. Valida-lhe a histeria, mas outro que apanhe com ela... outro tipicamente eu. Eu tenho a sina de ter que ser eu a fazer frente aos dramas da minha mãe. Ela só quer o seu close-up, e a mim enervam-me os dramas... enerva-me que a mulher dos arranjos das calças me tenha dito a mim, filha, que a minha mãe passou recentemente uma fase difícil... esse recentemente deve-se referir à morte do meu pai. Passou um ano e 4 meses. Não é assim tão recentemente já, e é o marido da minha mãe mas é o meu pai. A minha mãe faz o luto dos pais há uns bons 50 anos. Acho que a minha mãe não sabe fazer lutos. Acho que não é saudável. Mas ela fá-lo porque ela tem que ter algo para carpir, se não for a morte do pai é a morte da mãe, se de nenhum dos dois a do meu, ou o filho isto ou aquilo, a cunhada, o homem na rua que lhe fez e disse não sei o quê)

(mas perdi-me. Até mudo de parêntesis, só para voltar ao início. Eu tenho sempre, não sei se por ser mulher, se por ser a mais nova, se - muitas vezes - por ser médica... é-me sempre esperado/exigido que apanhe com a minha mãe. Não tenho perfil para estes dramas. Não concordo com compactuar com eles, sou a única que lhes faz frente... mas todos lhos legitimam e depois eu que vá tratar da psicose de mámãe, que além do mais foi validada por todos os outros filhos)

Mámãe, ar sofrido, suspiros, gemidos, the works - ah filha... não era nada... adeus!

Eu tenho vontade de me rir, para não chorar claro. Na verdade a vontade que tenho é de lhe dar dois pares de estalos e fazê-la acordar para a vida, perceber que isto que chamamos vida, não é um palco onde ela é a personagem principal. Não há câmaras, não precisa de se atirar para o chão fingindo-se combalida.

Odeio histerias, odeio dramas, odeio filmes. Estes filmes em que se nota que a pessoa é artificial e dramática e postiça e com necessidade de afirmação e de ter um foco em cima dela e não suporta que alguém lho roube... odeio.

Partida "lagarta" fugida

Primeiro meca do melanoma. Dia em família (os gatos, entenda-se) e amigos.

Depois Barça, a vencedora do pentalema (na verdade trilema) exposto há tempos. Não por vontade, mas por imposição. Não faz mal, eu sou pacata e é quase como se não conhecesse Barcelona mesmo...

Babalu, para isso de pensar estou cá eu!

Ontem começaram as minhas férias. Num dia conturbado e daqueles que me cansam até ao tutano mas regra geral me deixam com a satisfação de saber que fiz 1001 coisas no mesmo dia.

Saí do meu part-time às13h30, que é a hora habitual de não haver nada para fazer às 6ª feiras no serviço, rumo a mais uma casa dos meus sonhos. A casa em si nem tem nada de especial, a cozinha é pequena. Eu como bom cliché, além de uma sala grande porque gosto de receber pessoas em casa, quero, preciso e sonho com uma cozinha grande, com ilha... eu gostava muito de ter uma ilha. Acho que seria mais feliz com uma ilha no meio da cozinha do que com uma ilha no meio do Pacífico.

Não cheguei a ver a casa, mas fui ter com amigos e familiares de amigos que tinham ido ver por mim a casa dando a sua opinião perita.
Bolos de anos, trazer roupa de arranjar, entregar bolo e passageiro em casa, seguir para casa de mámãe, ir buscar o carro de mámãe com mámãe à oficina e seguir caminho para casa para depilações, fazer mala, a dependência do mafia wars e um merecido banho. Coisas de gaja e rumo a um jantar muito agradável, mas de 5h!!

Hoje, dormir novamente 4h, ser acordada pelo amigo que sabia que eu iria estar a dormir, mas ainda assim telefonou, perguntou se eu estava a dormir e pediu-me para lhe carregar o telemóvel porque o voo em que seguia tinha sido desviado e não sabia como ia ser a vida dele.

Conclusão, vim carregar-lhe o telemóvel, o despertador tocou há pouco por isso também não me acordou assim por tanto, e eu continuo a arrastar-me pelos cantos. Felizmente estou de férias.

Me duelen las espaldas*

Demorei 2 dias, não menos mas eventualmente mais, a recuperar às minhas costas algum tipo de função. Com massagens com anti-inflamatórios, injecções no rabiosque e drunfada sempre que possível, ao 2º dia conseguia olhar uns bons 4 ou 9º para a esquerda. Uma vitória!

Obviamente que ainda hoje me doem as costas, de forma mais generalizada e não simplesmente a "espalda" (só porque sim, dá aquele ar e gosto... é mais fluido que escápula, que lembra insultos de romance de cordel pós-romântico) esquerda. Sou algo sensível a contracturas musculares e afins, de modo que passo a vida com dorzinhas nas costas. Os meus dorsais e trapézios provocam sempre pequenos suspiros de admiração e espanto, do quão empedernidos são, como se me tratasse de um mapa do Arizona, escarpado.

Isto para dizer que me doem, neste preciso momento, as costas... aceito dicas daquelas maravilhosas do "ah conheço uma massagista que cobra tuta e meia por 1h, acolá..." venham elas, por comentário ou mail ou telefone para quem o tenha, não se inibam.

É que sou forreta, mas começa a tornar-se uma necessidade física de bem estar de vez em quando ir a amassar... ando a ficar com grumos.

* do portuñol - porra! Fazes-me uma massagem?

julho 08, 2009

Maravilhas de morar a caminho de S. Bento

Parece a hora coca-cola light... homens musculados, bronzeados, com ar algo brega.. mas apelativos none the less. Ao passar de carro adivinham-se os comentários delicados que lhes passam pela cabeça ao olhar os seus olhos gulosos... todos esses piropos "carinhosos" que já todas teremos ouvido, ao passar numa obra, perto de qualquer andaime ou carrinha de construção. Esses mesmos, tão "carinhosos" que não me atrevo a escrevê-los aqui...

Prossegue-se viagem, calçada do combro a baixo...

Passados meia duzia de minutos ouvem-se tiros, assobios e frases de ordem.... espreita-se à janela (porque morar a caminho de S. Bento dá-nos esta característica de velha de bairro que tudo espreita à janela, desde o eléctrico que não anda por causa de um carro mal estacionado à procissão das velas por alturas da Páscoa, não descurando toda e qualquer manifestação que passa invariavelmente à porta).
A encabeçar uma multidão de homens musculados, bronzeados e vestidos de laranja encontra-se uma faixa a dizer "Estivadores" qualquer coisa... pormenores de somenos importância, importante era saber o que eles eram e daí inferir o que protestam.

Entre rosnares de gatos, tiros e assobios ouve-se a seguinte frase de ordem "Sócrates escuta, és um filho da puta".
A esta não me poupo e não me coíbo.. acho encantadora. Não pela ofensa em si, mas pela frontalidade. Não há cá meias palavras. Gritam o que todo o português, mesmo que apenas numa hora de maior desespero, já pensou. Neles a honestidade e verdade de todo um povo. Gosto muito do povo...

julho 05, 2009

PDI

Dormi umas horas, nem uma noite foi, no sofá, com uma almofada que não a minha. Acordei entrevada, incapaz de sequer respirar sem dor. É complicado constatar que não se tem idade para dormir toda torta sem que se acorde toda lixada com F maiúsculo.

Não tenho. Faz-me lembrar a lista Murtaugh do "How I met your mother", que enumerava um sem número de coisas para as quais, tal como o Murtaugh da "Arma Mortífera", «I'm too old for this shit».... dormir no sofá com uma almofada de meio metro de altura é uma delas para mim.

I feel you

Fui ontem ao concerto da Kylie Minogue. Nem sei bem porquê, visto que não sou grande fã, tal como rapidamente constatei já no concerto.
O pavilhão atlântico às moscas, mas cheio de grandes fãs, muito divertidos, a cantar e dançar ao som dos êxitos mais recentes, a explodir de alegria à despedida com o I should be so lucky. Ela, supreendentemente espectacular. Canta espectacularmente bem, coisa que nunca supus, a única falha de afinação que lhe detectei foi quando resolveu tirar o auricular e cantar connosco e ouvir o som que faziam aquelas poucas mas animadas vozes, pelo que até tem desculpa. Os bailarinos fantásticos também.
Foi um bom concerto, tenho pena de não ser de facto grande fã ou teria saído maravilhada provavelmente.

Cenourinha global

Disse-me um amigo, que deu com o blog de outra amiga através do meu. Seria perfeitamente normal, não fosse eu não fazer a menor ideia que tenho esse blog linkado ou que essa pessoa teria em tempos comentado o meu (que parece ter sido a partir daí que ele foi dar com o dito blog).

Assim, pede-se a comparência da menina Inês M. (eventualmente uma de suas 3 irmãs e o F. ter-se enganado no nome) junto à caixa central, para eu saber de quem se trata.

julho 01, 2009

Home is where the heart skips a beat

E isto leva-me ao episódio de ontem. Fui ver três casas. De minha experiência (e já vai sendo muita), os agentes imobiliários não são pessoas pontuais. Estranho-o, porque se fosse esse o meu emprego, vender alguma coisa, faria questão de estar pontualmente, antecipadamente até aguardando os clientes à porta.

Mas isso sou eu pelos vistos, apenas eu e um agente imobiliário que conheci já há dois anos quando ainda andava à procura de casa para arrendar.

Invariavelmente chego a horas aos compromissos, a quaisquer compromissos, mas a estes em específico... e invariavelmente fico à espera. Invariavelmente se me atraso ou prevejo atraso, contacto a informar desse facto antecipadamente. Sou espécie rara também, por ter esta capacidade de previsão aparentemente. Até a capacidade de constatação parece ser coisa rara, porque já atrasados raros são aqueles que pegam no telefone para o afirmar e pedir desculpas pelo facto, avançando com uma hora prevista de chegada.

São este tipo de atenções (na verdade rigores de educação) que me cairíam bem. Odeio atrasos. Odeio que eu me preocupe em não deixar as pessoas à espera, que tenha o trabalho de pensar em atalhos, planear precursos e horas de saída, e em certa medida o meu dia de modo a estar pontualmente no local combinado à hora combinada, e que não haja uma alma neste mundo capaz de tal proeza. Começo a pensar que sou fantástica, sobre-humana por o conseguir.

Ontem, eu que abomino conflitos e nesse aspecto sou várias vezes trouxa por não dizer o que penso e é devido, apresentei-me à senhora da agência com um protesto pela sua falta de pontualidade. Pela sua falta de pontualidade e de rigor. Poderia ter estragado ali uma boa relação cliente-vendedor mas a senhora portou-se à altura e pediu desculpas de forma sincera e conquistou-me. Tirando este grave (exclusivamente a meu ver ao que parece) lapso, foi sempre de extrema educação. Mostrou-me umas casitas engraçadas, mas que por um ou outro motivo não me conquistaram. Mas tenho fé, pode ser que seja desta vez... vou pôr o segredo a funcionar e a arranjar-me a casa dos meus sonhos.

The importance of being honest...

Voltei à senda da casa perfeita. Já estou mais que farta. Sei o que quero e não peço assim tanto.. porque é que nunca mais encontro??

junho 27, 2009

Dreams of Laudanum

Quem me conhece sabe que sou uma crente céptica. Céptica por medo do desconhecido que nalguma medida até conheço. As coisas que não sabemos explicar mas que sabemos bem que sem grande dificuldade lhes arranjamos uma explicação... fantástica, quase folclórica, mas com um encaixe tão espontâneo e fácil que parece coincidência a mais.

Há dias, depois de meses ou anos de jejum, voltei a sonhar. Sonho vívido e real. Desagradável por isso mesmo. Acordei com a sensação de não saber se sonhava ou se teria acontecido, naquele mesmo cenário que olhava já com a certeza de estar acordada... fiquei paralisada, com medo de confirmar que era sonho, com medo de ver alguma coisa que me dissesse que era real, porque assim teria que o explicar e só o conseguiria explicar de forma fantástica e folclórica.

O que não vemos não existe, é a crença do descrente, a visão do céptico. E assumi essa postura e não olhei, fechei os olhos ao que não queria ver. Não o vi, mas continuo sem saber se não existe, se não aconteceu.

Insatisfação

Vazio? Ambição?
Desejar sempre mais o que não se tem...

P. can you hear me?

Possivelmente sou do contra. Aliás, não é uma possibilidade, é uma certeza, sou do contra. Adoro fazer de advogada do diabo, simplesmente porque gosto sempre de ver os dois lados de qualquer questão e defender o óbvio não só não tem piada nenhuma, como seria apenas mais uma das vozes do coro.

Gosto de assinalar o que os outros não atingem, não estão sensibilizados para ou simplesmente não têm a coragem ou frontalidade necessárias para o fazer. Serei possivelmente uma criança megalómana em idade de armário para me sentir tão bem em me demarcar dos outros mas o que é certoé que em muita coisa da minha vida ajo em função desta vontade, necessidade ou crença.
Felizmente gente medíocre e fraca abunda e esta demarcação acaba por me tornar melhor pessoa.

Ando desconsolada com o que vejo nas pessoas à minha volta. Colegas de trabalho nomeadamente. Falta de formaçao (enquanto pessoas, enquanto profissionais até). Boas vontades, bonacheirices e solilóquios não substituem a essencial educação, respeito pelo outro e conhecimento técnico e teórico daquilo que é o seu milieu.

Custa-me deixar cair as pessoas do pedestal em que vezes demais as ponho. Por ingenuidade. Por complexo de peter pan. Por complexos edipianos mal resolvidos. Quem(ou aquilo que) ganha a minha admiração, ganha inevitavelmente uma acérrima defensora e gestora de marketing, não descanso enquanto não convencer todos à minha volta de que aquilo que defendo é de facto o melhor.

Mas essa ingenuidade e amor àquilo que me conquista o respeito, pela admiração, fazem com que vezes demais me precipite. Como uma adolescente que ao 2º dia de namoro espalha que encontrou o amor da sua vida, repetindo a constatação a cada novo namoro com 2 semanas de validade.

Posso não ser a mais estudiosa, a mais uptodate, a melhor técnica... mas sou a melhor pessoa, a mais educada e atenciosa para com doentes e colegas e profissionais com que me cruzo. Cada vez me sinto melhor comigo mesma por isso. Cada vez mais reafirmo para mim mesma que é assim que quero ser, que é este o rumo certo. De cada vez que com um sorriso me agradecem a atenção de dirigir uma palavra explicativa ou de sossego, de cada vez que vejo esse efeito em doentes e familiares, de cada vez que sinto que fiz tudo ao meu alcance para descansar ou pelo menos elucidar quem tinha à minha frente. Sinto-me bem como pessoa. Sinto que sou filha do meu pai. Sinto que o honro como ele sempre me honrou a mim, como todos os dias me honra. Percebo, ao fim deste tempo todo, que sermos o cunho dos nossos pais em nós é positivo, é sinal que nos ensinaram os val0res com que sempre viveram a sua vida e com os quais ganharam o respeito de todos os que os rodearam, inclusive os seus filhos.

E sinto-me estúpida. Terrivelmente estúpida. Por nunca te ter dito tudo isto. Por enterrar palavras e sentimentos dentro de mim como se fossem tesouros preciosos, de forma egoísta. Por não me dar, por não me entregar. Por medo de rejeição, por medo de ser rejeitada por quem nunca me rejeitaria, por quem sempre teve braços e coração aberto.
São os medos que nos atam, que nos calam. Os meus paralisam-me, congelam-me numa forma de estar asséptica e impessoal. Tenho receio que nunca me tenhas conhecido. Que nunca tenhas visto o teu cunho em mim, que nunca tenhas visto em mim a tua ovação.

junho 25, 2009

Say what??

No meio de um quase sono, ouvi uma notícia que me despertou de surpresa... Michael Jackson morreu vítima de paragem cardíaca.
Estou estupefacta...
Fiquei triste com a notícia da morte da Farrah Fawcett, mas estranhamente a morte do freak com tendência à pedofilia abalou-me mais.

Hossana hey sana sana sana ho...

Hoje foi o dia... o dia em que me libertei de um peso incrível de cima dos ombros.
Sou uma mulher mais leve, mais livre, mais feliz por isso mesmo.

Apesar de a minha aliança ter ganho, isso nem importa... o que importa é que o travian acabou!!

junho 23, 2009

Meeting the Tannebaums

Ainda no tema "prazeres da maternidade e relógio biológico a andar em overtime" versus "gosto muito de ser inconsequente", na semana dos feriados também conhecida como a minha semana de férias peguei nos miúdos (e vou incluir nesta designação a minha mãe) e levei-os ao jardim zoológico.


Com algum desprazer denotei que os meus sobrinhos não são crianças muito bem educadas... sempre a gritar, a correr de um lado para o outro, a atirar os balões que a minha mãe lhes comprou logo à entrada (!!) para cima de toda a gente, pedinchões e algo birrentos. No fundo iguais a todas as crianças que me fazem soltar um "se fossem meus filhos não andavam a fazer estas figuras".


Mas gostei muito na mesma, ainda que em retrospectiva tenha passado o dia a ralhar com eles. Mais importante que isso eles adoraram...

Futilidades

Não o devo ter dito aqui vezes suficientes: gosto muito de ir à praia. Gosto de passar os fins (e meios) de tarde na praia. Gosto na verdade de fazer dias inteiros de praia, com direito a petiscos (que para mim significa marisco porque não gosto de caracóis e afins "petiscos")... daqueles dias em que se fala, se dorme, se joga, se brinca no mar, se nada, se apanha sol, se dorme debaixo do chapéu-de-sol, se é acordado porque se está há tempo demais ao sol, se mete conversa com os vizinhos do lado que se encontram dia após dia na mesma praia, se emprestam as raquetes, se empresta a bola de vólei, se fica com uma vontade imensa de jogar raquetes ou vólei assim que se emprestam os brinquedos, se fuma, se lê, se ouve música, se anda à beira-mar e se dorme mais um bocadinho.

Hoje dormi uma sestazinha ao sol e soube-me pela vida.

Acho no entanto que deveria estudar mais, deveria recomeçar a ir ao ginásio, deveria ir mais ao cinema, deveria ir tomar os cafés que tenho atrasados com uma dezena de amigos, deveria dedicar-me (ainda) mais a encontrar casa, deveria voltar a ir passear o Argos a casa dos meus pais, deveria pegar mais vezes nos meus sobrinhos e ir passear com eles.

Mas talvez quando estiverem uns dias menos de praia...

junho 21, 2009

O melhor do mundo

As crianças são o melhor do mundo. É uma coisa que se diz... arrisco dizer que quem o disse primeiro e quem o repete ad infinitum nunca o fez imediatamente a seguir a tomar conta de 14 vândalos (deveria dizer vândalas, porque a maioria eram raparigas) no primeiro dia de um Verão que se adivinha de calor insuportável...

São o melhor do mundo, mas ainda assim acho que prefiro não ter nenhum pedacinho desse paraíso até daqui por uns 5 anos...

No Mr. Sandman for you!

Raramente me recordo dos sonhos, é um revés de dormir pouco. Hoje acordei, seriam umas 9h, de sobressalto com um sonho estranho. Dele pouco me recordo. Sei que estava com alguns amigos próximos não percebi onde. Uma amiga cortava-me uma madeixa de cabelo que caía na mesa como se fossem só pontas, mas quando me via ao espelho eu separava os cabelos quase pela origem... e o cabelo estava ressequido e oxigenado. Além disso alinhava-me os chakras, como quem vai à oficina alinhar a direcção. Os restantes olhavam-me com ar de "que filme" e não propriamente com o ar típico nestas situações de "a seguir sou eu".

E acordei quando supostamente ia perceber o que isto significava. Não consegui perceber a energia do sonho, não me pareceu obviamente positiva nem negativa. Não gostei, provavelmente pela relação de amor e devoção que tenho com o meu cabelo, de o ver cair como se tivesse feito quimioterapia.

Mas isso até sei explicar... é que andar a abrir cabeças implica andar a cortar cabelos. Nem sei bem se sou cabeleireira se interna de neurocirurgia a bem dizer, porque as semelhanças são muitas... (se falarmos do nível de conversa sobre a vida alheia então...)

Deitar cedo e cedo erguer...

... assim de madrugada cedinho cedinho cedinho... aborrece-me. Não acho justo. Uns e outros andam aí a roncar ininterruptamente por 10, 12, 15h (!!!) e eu num domingo, durmo 6h, depois de num sábado ter dormido 6h, depois de uma semana a dormir 6h ou menos, depois de um mês a dormir 6h ou menos t0dos os dias.

Acho que provavelmente nunca mais conseguirei dormir mais de 6h por dia na vida, deve ser assim, pronto. Mas volto a dizer que acho injusto.

Ainda ontem falava de insónias, que sempre preferia as minhas que eram terminais, a ficar a rodar na cama 1-2h todos os dias antes de adormecer. Só de pensar nisso até gelo (que dado o calor que se faz sentir a esta hora até é bom).

Mas por muito que custem a pegar, esses grandes sacanas depois dormem 10h de sono retemperador. Acordam com a cara inchada e tudo. Eu acordo com olheiras e com sono... não sei se já disse que não acho justo...

Outubro é já amanhã

Este calor não é normal... ou muito me engano ou o fim do mundo está aí à porta. Este bafo que não me deixa dormir (eu que tipicamente demoro cerca de 1.7 a 2.5 segundos a adormecer mal deito a cabeça na almofada, por vezes até mesmo antes de subir ao quarto) é certamente indicativo de que vem aí um flare solar (diz o Nick Cage que é a 19 de Outubro, não sei se foram os conections dele na Cientologia que lho adiantaram) que nos vai incinerar a todos.

Pode ser, mas volto a dizer, avisem-me com antecedência... e tenho a dizer que acho mal a escolha da data, porque tenho férias na 2ª quinzena de Outubro. Com as novas regulamentações das férias dos funcionários públicos não dá para transitar os dias para a próxima encarnação... reforço: está mal!...

junho 18, 2009

junho 17, 2009

Part-time living

Tenho um part-time que paga bastante bem. Disseram-mo assim. Não sei porque provoca tanta inveja o facto de conseguir ir à praia frequentemente a seguir ao trabalho...

Por falar em part-time, quero ir ouvir o "part-time love" e outros clássicos do meu querido Eltão, próximo dia 28. Falta arranjar companhia, falta cumprir-se Portugal...

junho 13, 2009

Viva Alfama!

Foram sem dúvida os santos mais divertidos que passei...
Recomendação para todos para o ano que vem: temperado com bastante sangria, agarrar em molas de roupa e passar a noite a prendê-las à roupa alheia... é hilariante e poderão nascer daí bonitas relações de amizade (ou não)!

junho 12, 2009

In the summer in the city

Gosto de praia. Gosto de ter como plano para o dia, ir à praia. Gosto de tudo nesse programa, da viagem, do sol quente, do vento quente na mão fora do carro... adoro fazer a viagem de janela aberta. Chegar à praia, por creme se não tiver tratado disso em casa, sentir aquele cheiro "de praia" num frasco, tomar um banho de mar e deitar-me a aquecer a pele ao sol.

Adoro praia.

E também adoro o caminho de volta, o banho de água doce, regra geral frio, a rotina de por creme no corpo e vestir roupa fresquinha. Se incluir noite quente de verão e uma voltinha por essa Lisboa estou no céu. Tudo se propõe à perfeição neste dia... pena ter que apanhar com centenas de pessoas com a mesma ideia.

junho 08, 2009

Aceitam-se sugestões para Julho

Hipótese 1: Amsterdão. Coffee-shops. Bicicletas. Diques. Klimt.

Hipótese 2: Barcelona. Tapas. Gaudi

Hipótese 3: Madrid. Gran Via. Rebajas. Tapas.

Hipótese 4: Londres. A 7ª ou 8ª vez. Musicais.

Hipótese 5: Paris. A 20ª ou 30ª vez. Museus. Arquitectura.

junho 06, 2009

Wishin' and hopin'

Por um dia, gostava de tirar férias de mim mesma. Overdose, coma alcoólico, o que fosse necessário para me dar silêncio e paz. Ter acordado hoje de manhã e na verdade hoje de manhã já ser domingo de manhã...

junho 05, 2009

Se eu fosse a "rainha dos mundos"...

Fizeram uma vaquinha para salvar a Qimonda. Que bom. Mais dinheiro de contribuintes empregue em salvar por uns meses uma empresa que tem os dias contados. Bem empregue o dinheiro, porque Deus sabe (convenhamos, Deus quer lá saber...) que não há qualquer outra causa que seja importante...

Garantir e salvar a indústria, manter o desemprego pelo menos estável, até que haja estimulação da economia... ou estimular a economia para haver menos desemprego que por sua vez estimula a economia... sei lá, não sei onde começa o ciclo, que parece que deve ter uma solução de continuidade algures, porque não me parece que brote do nada, como que por geração espontânea.

Pouco me diz. O mercado e a indústria deveriam ser livres. Não esta amostra de "liberdade" do nosso mercado e indústria, que na verdade são um eufemismo (eufemismo é chamar a esta mentira eufemismo) para especulação, mas livre e competitivo. Isto, isto não é nada... é um paternalismo quiescente, reminiscência do período que todos criticam, mas para o colo do qual todo o português quer saltar, mesmo que a cadeira caia, mesmo que não seja de embalar.

Manipulação

É pérfido abusar do amor que alguém tem por nós, da vontade de agradar para nos levarem a fazer o que pretendem. É feio. É desprezível na verdade.
Sou manipulável, facilmente manipulável porque vivo a minha vida em função dos outros... vivo a vida para agradar a outrem. Tristemente, não sei viver para e por mim. Daí que me apaixone por qualquer pequena atitude a mim dirigida... é triste ser-se carente assim.

A pior manipulação é aquela que nos faz crer piores do que somos, que nos faz duvidar do nosso valor. Irrita-me essa manipulação. Irrita-me a estupidez que sou capaz de atingir por ser ingénua e crédula o suficiente para pensar que há pessoas que merecem a nossa confiança cega. Não ponho as mãos no fogo por mais ninguém. Preciso delas para trabalhar e já deveria ter percebido antes que vou sempre queimar-me...

junho 02, 2009

Acordo fonográfico

Comecei por engraçar. A musicalidade da língua, parecia favorecer as palavras. Mas depois comecei a sentir-me algo ultrajada, imbuída de um espírito patriota que não tem nada a ver comigo... A Florbela Espanca, a nossa Florbela, parte integrante e de relevo da nossa cultura. Ela merece o tom bucólico do nosso português. Ela faz sentido apenas nesse tom.
Cantarolei, fiel às minhas origens, em bom português, feliz por seguir perdidamente sem qualquer evidência de sotaque, feliz por saudar assim a nossa cultura.

Irrelevante, sim... mas nesta viagem, pareceu-me de máxima importância essa homenagem, por qualquer motivo desconhecido.

Então, os Bossa Nossa, depois de nos embalarem, também eles numa homenagem, seguindo um português purista nas acentuações, fiéis a tudo aquilo que torna o português diferente do brasileiro, introduzem um "te" fora do sítio... mantendo no entanto o hifenizado que o torna português. "te amar-te"?! estranhei eu... e nova quadra, com o mesmo "te amar-te" lá... estranho.

E eis que na última repetição do refrão, vem o brasileirismo, contente de nos arrancar mais um pedaço, de nos retirar a identidade em função da sua, orgulhosamente num "E é te amar assim perdidamentxi"...

maio 29, 2009

Insectofobia

O Guy e o Gaspar, de cada lado de um candeeiro, a jogar ping-pong com uma mosca varejeira...
Abençoados! Que alguém nesta casa seja capaz de matar estes seres...

Há sempre mais UMA razão para não se poder com eles

O carro lindo, lavado por dentro e por fora...
Um semáforo...
Uma cigana...
Uma garrafa de água com detergente sujo e uma esponja mais suja...
Uma interlocutora repete freneticamente "Não... não... NÃO!!"...
O estupor da cigana deita a tal água, esfrega a tal esponja, deixa o vidro todo sujo...

maio 27, 2009

Eu dispenso o dinheirinho, mas este sábado não!!

Tenho sono, estou cansada... queria muito ter fim de semana. Vamos torcer por isso?!

maio 22, 2009

Respostas possíveis

Cenário:
Casal de namorados nos seus idióticos 14 ou 15 anos, atravessa uma estrada a correr, frente (sempre...) ao meu carro provocando uma travagem brusca, com a tirada "isto é uma passadeira!!"

Resposta 1: "E o sinal está vermelho!"
Resposta 2: "Já tens idade para saber atravessar uma estrada"
Resposta 3: "No dia em que morreres atropelada numa passadeira percebes"

Aceitam-se sugestões... qualquer coisa rápida de dizer, pungente e que veicule sem equívocos a ideia de que o peão é na sua grande maioria um ser estúpido.

maio 17, 2009

Fogueira de vaidades

Todos os Srs. Doutores comparam mulheres, opiniões, carros e talvez até o tamanho das pilinhas...

Tirando isso, aprendi algumas coisas, interessei-me muito por outras, revi caras amigas e saudosas e ainda tive tempo para apanhar solinho (um pouco demais até...).

Para recordar: a Neurodança... linda. Sem palavras mesmo. Se o nome não chegasse, tudo o resto... Ficam as palavras da C. aquando do nosso brinde "A um futuro diferente"!

maio 11, 2009

Knowing

Comprovem-me que assim é... mas com provas irrefutáveis, que convençam o mais céptico dos seres.
Pego em nós e vamos de malas aviadas passar as férias da nossa vida... on me! Estoiro até o último cêntimo.

Mas vejam lá, tem que ser a sério... não vale dizer que sim e depois vai-se a ver e corta para trás!

Afinal se calhar não vou mudar as minhas férias... Outubro se calhar é o mês ideal para ir para o Paraíso (e vou encalhar com o dia 19 até que chegue o dia 20)..

maio 06, 2009

Pode ser a gota d'água...







Tragédia grega ao som do samba de Chico Buarque. Fenomenal, na "orquestração" do coro, nas vozes singulares, quentes e cheias de sentimento.
Impressionante de facto a prestação da Izabella Bicalho, numa voz que transparece todas as emoções que a música carrega...

Mais aqui.

Vamo-nos sentar à mesa da concórdia

Espreitem aqui e aqui...

Boys will be boys

maio 05, 2009

Cut & print it

Tip of the day

maio 04, 2009

O tempo urge

Já é tarde demais, mas acredito que não conseguiria dormir se não partilhasse isto com o mundo: a Tyra Banks reduz o americano ao seu mais básico estado de imbecilidade. É divertido... assim como ir ao circo.

maio 03, 2009

Ribeira

Acho que desde pequenina, nos tempos em que ia com mámãe à praça, comprar verduras e peixe e afins... tenho lembranças remotas de em petiz ir pela mão da minha mãe (ou vezes demasiadas pela mão de ninguém, razão pela qual também tenho memória de me perder na praça), vê-la a falar com as senhoras... fiel a umas e não a outras por razões que nunca percebi. Sempre com nomes como D. Silvina, D. Adriana, D. Arminda e outros que a minha sensibilidade pueril já rejeitava.

E vir para casa cheia de legumes frescos, cheiro a flores no carro... todas as cores na cozinha, misturadas e no prelúdio de uma sardinhada à beira-mar. Acho que as melhores memórias são estas, foscas, dos períodos em que fomos felizes. Tipicamente de férias, e para mim tipicamente em S. Pedro.

E sinto-me a voltar a esses rituais cada vez que entro numa praça. Os cheiros nem sempre (quase nunca) apelativos, mas tão típicos, aquele festival de cores... sinto-me uma criança a entrar nesses espaços, extasiada por tanta variedade e qualidade de cores e sabores.

Talvez haja também algo de terrivelmente sedutor (e no sentido mais lato possível) de se ser tratada por "menina"...

Why did the chicken cross the road? #5

Mário Soares - "Já disse ao frango para desistir de atravessar a rua! Eu é que vou atravessar! Não vou desistir porque sei que os portugueses querem que eu atravesse outra vez a rua!!!"

Comme il faut

Já vem sendo hábito este testemunho... hoje foi o primeiro banho de mar (se não me engano) do ano. Como também já vem sendo hábito, a água estava fria de gelar... mas deu para apanhar um solinho quentinho, jogar umas raquetes e para abraçar Iemanjá.

Xô má energia de Inverno...

Let the sunshine in

Não me tenho sentido bem. Emocionalmente.
Não me tenho sentido de facto eu mesma. Fui-me abaixo, como o nível das águas depois de uma onda, assim que fiz o exame... continuei a descer por aí a baixo e o pior chegou fez já um ano. E custa-me não me sentir eu mesma, sobretudo nestas coisas. Quando nos temos por fortes, parece que nos envergonhamos de não ter força, e isso ainda nos deixa mais fracos... porque nem o próprio se compadece do seu sofrimento.

Mas como é que algo tão estruturado e com fundações de construção sólida, se desmorona com um simples sopro de uma brisa quente de quasi-verão, com um sol quente a torrar a pele, com um dia mais longo e de noites cálidas?...
Alguém me explique como o verão vive em mim desta maneira, que só de o ver, mesmo que ao longe, brilho por dentro (sem ter ingerido nenhum objecto estranho)...

Why did the chicken cross the road? #4

Manuel Alegre - "O frango é livre, é lindo, uma coisa assim... com penas! Ele atravessou, atravessa e atravessará a rua, porque o vento cala a desgraça, o vento nada lhe diz!"

maio 02, 2009

Why did the chicken cross the road? #3

Valentim Loureiro - "Desafio alguém a provar que o frango atravessou a rua. É mentira...!!! É tudo mentira!!!"

Why did the chicken cross the road? #2

Pinto da Costa - "Eu penso de que o frango queria atrabessar a rua para se juntar ao Bobby e ao tareco! Não foi para ir a minha casa e se foi, foi inconveniente, não fui eu que o convidei!!!"

maio 01, 2009

Dia do trabalhador

Sempre me irritou este feriado... acordar às 8am, ao ritmo de "1, 2 sssom! Ssom!" e música de rancho folclórico deixou-me inculcado o ódio ao 1º de Maio e ao ajuntamento de povinho consequente. Desde os ciganos a levantar em braços os nossos carros, à barulheira infernal, ao aterro municipal que deixavam à sua passagem (já para não falar do alcatrão partido pelos esporões que espetavam para fixar as tendas, a relva destruída, etc., etc., ...)

Mas não consigo deixar de sorrir ironica/causticamente ao pensar que um país como o nosso goza tal feriado... insurjam-se as vozes munidas de história e de realidades, mas a verdade é que é ridículo o português ter direito a (mais) um feriado e com título tão sugestivo.

Why did the chicken cross the road?

Lili Caneças - "Porque se queria juntar aos outros mamíferos"

abril 29, 2009

diga ah

abril 28, 2009

I have a dream

Hoje no telejornal falavam da nova geração de crianças, com 1,80m aos 14 anos e a calçar 43. Isto para homens e mulheres.
Estou ansiosa!

Há de chegar o dia, em que o hoje orgulhoso e snob detentor de um pézinho 37 ou 38 vai chegar a uma sapataria e não vai ter o seu número. Vai receber um comentário trocista "37? Não... não fazemos"... e aí a justiça será quase atingida. Digo quase porque andar com uns sapatos grandes demais pode ser desconfortável, mas ao menos não é mutilante como andar com pequenos demais.

Chegará o dia em que cada sapataria deste país e cidade em particular responderá à minha prece! (ou será que continuarão neste percurso autista do "portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40, portuguesas usam do 36 ao 40..."??)

Neuroglicopénia

Dói-me a cabeça, tonturas, dor de estômago... finalmente compreendo o conceito genérico de "não sei o que tenho, mas não me sinto bem, não estou em mim". Quer dizer, na verdade não o compreendo porque consegui dar mais informações e mais localizadoras do que isto.

Adiante...
Se calhar é a gripe suína, se calhar a das aves (eu que gosto tanto delas), se calhar a vulgar. Certo é que só tolero líquidos e começo a ressentir-me disso.

Batido de atum, alguém?

abril 21, 2009

Auntie Scrooge

Feitas as contas, ao fim de dois anos de trabalho e sem ajuda de ninguém, tenho umas moedinhas para a caixa-forte... divirto-me a fazer quadros de excel dos meus investimentos, ver o que me rendeu mais e quando e relacioná-lo com a época económica específica. Eu que não percebo nada disto.
Se daqui por outros dois anos tiver o dobro do que tenho agora, prometo que, nem por um só dia, vou levantar tudo só para contar à mão...

É doentio, mas sou apaixonada por dinheiro.

abril 19, 2009

abril 12, 2009

E ainda

Outra tradição que considero idiota: a calçada portuguesa. Não há quem não se derreta com ela, que linda que é... mas reparem que são os estrangeiros que se derretem com ela.
Nós portugueses e sobretudo portuguesas, simplesmente damos por ela, incomodamente, quando ficamos com um salto preso, quando damos um pontapé numa pedra solta, quando tropeçamos numa bossa de um passeio que não foi claramente feito para passeios...

Mas é tradição. Não imaginava, confesso, a minha Lisboa de passeios de cimento, como os de todas as cidades por esse mundo fora que são dotadas de passeios...
É uma tradição, por definição, e como tal por estúpida e pouco prática que seja, é acarinhada, abraçada, defendida.

Uma tradição que corre riscos, pela extinção dos mestres calceteiros... alguém devia explicar à calçada, que nos dias que correm todos querem ter um curso superior e que mestres só de mestrado (mesmo que sobre as excrescências das moscas varejeiras).

Felizmente há o desemprego, que poderá vir a garantir a sobrevivência desta forma de arte urbana, caso a necessidade seja tal que se sobreponha à inércia e orgulho lusos, tão característicos também... certamente tradição.

Meet me in St. Louis

E nesta aversão a tradições e o que as legitima criei uma minha. Mas uma tradição com motivos, factos comprováveis, sem lesar ninguém e agradando (assim espero) a todos.

Fez em Fevereiro 1 ano que entrei para a especialidade. Nessa altura, há 1 ano atrás, levei os meus amigos mais queridos a jantar (nem todos puderam), num gesto de comemoração e partilha de um bom momento. Este ano repetiu-se esse jantar, como uma pancada de calceteiro a garantir que as pedras ficam bem encaixadas.

No do próximo ano, espero conseguir reunir o casal algarvio que falta comparecer a este jantar, já tradição. E que a minha J. mais linda não me venha propor uma alternativa ao restaurante, porque ouviu falar de um que é muito giro e come-se bem e sei lá mais o quê, e compreenda que é uma tradição, e que por isso não se mexe, não se contesta, não se questiona.

Sempre será o que foi

Consome-me um bocadinho, e quem me conhece sabe que eu me consumo com muito e por pouco, a tradição... o conceito de tradição.
Algo que sem qualquer substrato real ou comprovável, passa de geração em geração, inabalável e indestrutível só por ser uma tradição. Acredito que muitos super-heróis de banda desenhada tenham sido criados a pensar apenas nesta entidade...

A tradição... pode-se tentar refutar, defender os direitos dos animais, das crianças... "mas é tradição!" e todos os argumentos válidos caem por terra, ao ribombar deste insólito trovão directamente das mãos de Zeus. Diz que as tradições remontam a essa época (à da mitologia grega... que também é tradição, por assim dizer).

E assim, por ser tradição e isso ser incomensurável no que diz respeito à história e noção de "eu/nós" de uma sociedade, perpetuam-se todas as atrocidades.

Parece que falo da tourada, e podia ser... mas não, falo da Páscoa. Viajei um nadinha na maionese, mas vinha falar da Páscoa. Consome-me de facto que um dia/época que diz respeito a uma religião, que não é única ou soberana perante as outras na nossa sociedade (melhor dizendo: não deveria ser), seja imposto a todos: cristãos, judeus (que por acaso este ano por esta altura também comemoram a sua Páscoa, nada relacionada com cristo - mais uma vez... Porque é que o corrector automático me diz que cristo tem que ser com maiúscula?! Até aqui???), protestantes, hindus, ateus, etc...

Claro está que também é tradição portuguesa não se gostar de trabalhar, seja qual for o credo... daí que ateus, protestantes, cristãos e adoradores do diabo recebam com regozijo a ideia de ter feriados católicos como nacionais. Os nossos valores e crenças pouco se comparam à vontade de não trabalhar, convenhamos.

abril 01, 2009

março 31, 2009

Crawl, bruços, mariposa, costas ou freestyle (a.k.a. "à cão")

Tratar de impostos dá nisto, tudo o resto parece imensamente interessante... até a assumpção dos nossos piores defeitos.

Sempre me encarei como poupadinha e achava-o uma qualidade. É bom ser-se organizadinha, poupadinha, sensatazinha... é bom e é, como o sufixo indica, algo mesquinho.

Cheguei recentemente à conclusão que não sou apenas poupadinha. Sou na realidade forreta, fonas, avara... e isso já não é uma qualidade. Atravessa-se a linha ténue entre ser-se sensato e regrado e ser-se desinteressante e agarrado ao dinheiro.

E sou... agarrada ao dinheiro isto é. Gosto dele, gosto de o ter e custa-me gastá-lo. Rotulo de luxo as coisas mais banais. Por outro lado, frequentemente rotulo de essenciais as mais supérfluas...

Estou a pensar preparar uma divisão da casa para fazer uma caixa-forte e deitar o dinheiro lá dentro... é que sempre tive o secreto sonho de fazer como o Tio Patinhas e fechar-me num cofre a nadar numa piscina de moedas douradas com um cifrão...

Inmates Readily Sterilized

520, 401...
Bingo!

Internal Ravaging Sacrifice

407, 701, 708, 730, 732, 801, 803, ...

Altura maravilhosa do ano esta... podem-se declarar compras de computadores ou não?? E despesas com o carro ou não?!
Quem diria que tenho um irmão na área de direito fiscal...

março 30, 2009

Breakfast at Tiffany's

Não há coisa mais linda de tão perfeita que os filmes de antigamente.

março 29, 2009

In m.

Ontem fui a caminho da Ericeira, que associo invariavelmente ao meu pai, participar de um almoço de 80 e tal pessoas, todas da mesma família. Irmãos, sobrinhos e tios, sobrinhos-netos e tios-avós, bisavós e bisnetos, trisavós e trinetos, primos, filhos, maridos e mulheres, noivos e noivas, namorados e namoradas... uma amálgama de gente.
Associo-lhe também estes acontecimentos, que adorava. Aos quais tentava sempre levar toda a prole, mas acabava por me levar apenas a mim... mas ontem estivemos, não todos, mas muitos... filhos, netos e mulher, a representar e a sorver o que se pudesse de memória, de presença. A taça foi erguida e o copo vem cheio.

I can't help myself...



... they're so adorable!

março 26, 2009

Denial no more

Num momento de introspecção psicanalítica descobri porque acho os tios tão irresistíveis apesar de ideologica e comportamentalmente os achar desprezíveis (como um grupo, no pensamento mais estereotipado e preconceituoso)...

(para outras núpcias)

março 24, 2009

Saudosismos

... o que me leva a pensar no tempo em que 1 litro de gasolina era menos que 100$00. Parece há tanto tempo. Tem esse efeito o passar por uma mudança de moeda... diz que nos sentimos velhos (só por isso...).

Sem chumbo 95 a €0,89

Isto já ninguém estranha, mas a fronteira também barra as flutuações do petróleo para a GALP o vir anunciar como estratégia que permitiu os lucros nesta época de crise...

março 23, 2009

O jardim do vizinho

Aproveitei um fim de semana sem bancos e fui dar um saltinho ao algarve. Ali mesmo ao lado da fronteira... ali mesmo ao lado da fronteira, mas do lado de lá, encontrei 6 pares de sapatos lindos e no meu número.
Estranha fronteira esta que barra a entrada a todos aqueles que se cataloguem com um número superior ao 40 ou (esconjuro!) superior ao 41...

março 16, 2009

Avózinha é que sabe

A barriguitas e o seu B. já vão nas 20 semanas. Porque as crendices podem mais que a ciência e fazem o diagnóstico do sexo do bebé antes desta, quando comecei a ver que toda ela estava inchada (cara, mãos), pedi baixinho que fosse verdade...
E é. A Catarina envergonha a sua mamã ainda na barriga...

Porque me irrita a minha rua

Às 8am, folha deixada no pára-brisas do carro...


À 1.30pm, regresso a casa...


... eles mesmos, os senhores dos andaimes, baldes barbot, tábuas de madeira, sacas de cimento, areia para cimento, etc, estacionados intermitentemente/constantemente durante 3 meses à porta da minha casa.

NB: o prédio ainda não está habitado
NB2: os "risquinhos" amarelos foram pintados por eles mesmos, daí que pareçam o império do sol nascente e não os habituais sinais rodoviários de proibido estacionar
NB3: ainda tiveram uma bola azul com contorno e uma barra diagonal vermelhos na porta da garagem(qualquer semelhança com um sinal de proibido estacionar seria, certamente, pura coincidência).

março 11, 2009

A última dos mohicanos

E ainda no tema pés, dado que falando neles não posso deixar de me recordar da minha perene busca (inglória) por sapatos, botas, etc... tantas vezes frustrada que insisto em comprar sapatos que me sufocam, por ter que me contentar com eles... tantas vezes frustrada que quando arranjo uns que gosto e me são confortáveis os uso até à exaustão, a ponto de parecer uma mendiga e ouvir o R. dizer-me ao olhar uma sola soltar-se, já gasta "... estamos a precisar de te ir comprar sapatos!!"

Assim, deixo a questão que já espalhei por milhares de sapatarias lisboetas: «Serei a única portuguesa com pé de cinderela»(sobretudo tendo em conta esta nova geração nitrofurano com corpinhos de 20 aos 10anos) «para as sapatarias não venderem/fazerem sapatos acima do 40??»

Então... como são?!

Ninguém me alertou para esta possibilidade. Sempre tive em mim que eram os pés mais feios do mundo... o dedão enorme, única herança física do meu pai, o comprimento aparentemente anti-português, a planta algo seca (também herança paterna) de quem gosta de andar descalça e de havaianas...

Com a maior desfaçatez "Já vi os teus pés, sei que tens essa paranóia com os pés, mas os teus pés não são feios... pés feios não são como os teus"...

E agora? Como entender o mundo, após uma adolescência a enterrar os pés na areia para não estarem à vista dos transeuntes que sem dúvida fixariam com horror a proeminência horrenda que brotava da minha extremidade... como interpretar o meu grito de auto-aceitação ao prescindir desse pudor e vergonha em prol do prazer de banhar os meus pézinhos com a brisa e sol?


março 10, 2009

Porque sim

Porque chega o sol, chega a luz e renasce em mim a planta... é chegada a altura da fotossíntese e isso deixa-me sempre feliz. Anseio meter-me a caminho da praia, irritar-me com os palermas que insistem em deitar-se a centímetros de mim com um areal inteiro à disposição e adormecer ao sol... digam o que disserem, não há prazer igual ao de adormecer com o sol a aquecer a pele.

Dia do Pai

Em updates menos fúteis, estou em intensa preparação para o exame que se aproxima. Dia 19, faço o 1º exame anual... na proximidade desse dia, bem como do dia de aniversário do meu pai, bem como do dia 24, além da ansiedade previsível, não consigo deixar de recordar o que o meu pai me disse desde que percebeu que falava seriamente quanto ao desejo de seguir medicina: "Não faças isso... vai para enfermagem que também é muito bonito e dá menos trabalho"

Bonito não diria, mas a questão do trabalho foi muito bem vista pai... para a próxima oiço-te com mais atenção!

fevereiro 27, 2009

Feira das vaidades

Alguém que me explique porque é concebido como "um dia de gaja" ir a depilações e cabeleireiros e afins...
Depois de esturricar as pernas no laser e sofrer o que não desejo a ninguém, fui perder 2h a lavar e cortar e esticar e secar e brushar.

Não me sinto particularmente restabelecida, não me sinto particularmente evax (feliz por ser mulher)... o imbecil que inventou este conceito só pode ser homem e misógino.

Dalila

Continuo com os 60cm, bem esticados.
Força ainda tenho, mas daqui por uns dias não garanto passar nas portas do metro. Felizmente amanhã chove... é que "o problema desta casa é a humidadi"

fevereiro 26, 2009

Pros nos vérbios

Todos conhecemos provérbios ou dizeres que não fazem sentido nenhum... afinal fazem, nós é que os dizemos mal.

E porque aprender é sempre um prazer...

Popularmente diz-se: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho carpinteiro.'
O correcto: 'Esse menino não pára quieto, parece que tem bicho no corpo inteiro.'

'Batatinha quando nasce, esparrama pelo chão.''
Enquanto o correcto é: 'Batatinha quando nasce, espalha a rama pelo chão.'

'Cor de burro quando foge.'
O correcto é: 'Corro de burro quando foge!'

Outro, que todos dizem de uma maneira errada: 'Quem tem boca vai a Roma.'
O correcto é: 'Quem tem boca vaia Roma.'

'Cuspido e escarrado' - quando alguém quer dizer que é muito parecido com outra pessoa.
O correcto é: 'Esculpido em Carrara.'

Mais um famoso...: 'Quem não tem cão, caça com gato.'
O correcto é: 'Quem não tem cão, caça como gato'... ou seja, sozinho!

Sansão

Renego o meu poder.
Ao fim de mais de um ano, com mais de 60cm de maior comprimento, chegou o dia...

fevereiro 24, 2009

Nights of solitude

Não há palavra para traduzir "solitude" no léxico português. Infelizmente "solidão" traz um estigma de que o "solitude" não padece.
Pode-se estar em solidão e confortável com isso, mas o português não parece querer honrar essa distinção.

Hoje, no entanto, não é o caso. Nos últimos tempos para ser sincera. Ando a lidar mal com a solidão (essa mesma). Sem solitude...
Sempre que saio de perto de um grupo e me vejo sozinha, sinto-me efectivamente sozinha. E isso é estranho em mim, deixei de saber apreciar os meus momentos comigo mesma.

É possível que não me considere grande companhia...

fevereiro 12, 2009

Quando o luxo vem sem etiqueta

O tipo desce à estação de metro de jeans, t-shirt e boné, encosta-se perto da entrada, tira o violino da caixa e começa a tocar com entusiasmo para a multidão que passa por ali, na hora rush matinal.

Durante os 45 minutos que tocou, foi praticamente ignorado pelos transeuntes, ninguém sabia, mas o músico era Joshua Bell, um dos maiores violinistas do mundo, executando peças musicais consagradas num instrumento raríssimo, um Stradivarius de 1713, estimado em mais de 3 milhões de dólares.

Alguns dias antes Bell tinha tocado no Symphony Hall de Boston, onde os melhores lugares custam meros 1000 dólares.
A experiência, gravada em vídeo, mostra homens e mulheres em passo rápido, copo de café na mão, telemóvel ao ouvido, crachá balançando no pescoço, indiferentes ao som do violino. A iniciativa realizada pelo jornal The Washington Post era a de lançar um debate sobre valor, contexto e arte.

Estamos acostumados a dar valor às coisas quando estão num contexto.
Bell era uma obra de arte sem moldura. Um artefacto de luxo sem etiqueta de glamour.
Somente uma mulher reconheceu a música...

fevereiro 08, 2009

fevereiro 01, 2009

Correr por uma pechincha

Comprei um sofá magnífico... não cabia na porta... tenho uma sala enorme, com uma poltrona, apenas!
O sofá magnífico e baratíssimo (uma verdadeira "oportunidade") vai-me sair por mais €68 do transporte não executado do Ikea e ainda €120 da empresa que tive que contratar à parte... uma pechincha!

Why god?

Passei esta última semana em casa dos meus pais, voltar a viver com a minha mãe... isto porque a minha irmã e o meu cunhado foram passar férias para a neve e deixaram os miúdos, doentes, em casa da minha mãe com a condição de eu também ir para lá. Sou trouxa e fui, até de coração aberto.

Digamos que é nestes momentos que as nossas pequenas conquistas nos sabem a mel, e é nestes momentos que todos os arrependimentos que por vezes nos passam pela cabeça por não estarmos a poupar dinheiro em casa dos pais se desvanecem.

Ao final desta semana, e depois de a minha sobrinha ter tido um episódio de insuficiência respiratória aguda, e perante a apatia e indiferença da minha mãe tudo ter sido demais para mim, consegui ser deserdada.

Alvíçaras!

janeiro 23, 2009

Here's to you

janeiro 18, 2009

Priceless

Ansiolíticos

Ontem reencontrei o prazer de conduzir, passados quase 10 anos... consegui conduzir, calma, a gozar o momento. Porque sempre gostei de conduzir, mas nos últimos anos não o tenho sentido... apenas a irritação de lidar dia após dia com anormais que atentam contra a minha segurança.

Ontem, de antena 2 em punho à toada de Rimsky-Korsakov (e nem por isso o mais indicado), não me importei com nada disso... não quis saber qual era a faixa que andava mais depressa, não quis pressionar ninguém para deslargar a faixa da esquerda, não tive qualquer necessidade de ensinar ninguém conduzir... e reaprendi a gostar de o fazer.

Estupidez ou não

... há blogues que vale a pena acompanhar.

janeiro 17, 2009

Saídas de banco

São agradáveis e tal... mas o que fazer quando a noite foi descansada, chegamos a casa às 9am, sem sono e não temos nada que fazer? É que sábados de manhã não são momentos de utilidade... ninguém faz nada aos sábados de manhã.
Não sei se me vá enfiar na fnac, se me vá enfiar num centro comercial à procura de roupa que preciso de comprar, se vá apanhar frio para a rua só porque sim...

Bela fama

Ontem uma senhora abordou-me na rua do hospital, a pedir-me ajuda para encontrar a mãe dela. Não sabia em que serviço estava, sabia apenas que tinha estado no serviço de urgências. Quando foi lá saber da mãe mandaram-na dar uma volta ao hospital à procura da senhora...

Ela encontrou-me precisamente do outro lado do hospital, onde não me soube dizer nada que me orientasse. Perguntei-lhe porque é que a mãe tinha vindo ao hospital, de que se queixava... dado que pelas queixas ou estaria no meu serviço (e eu sabia que não estava) ou num outro, fui com ela a esse serviço.
A doente não estava lá. Procurei no sistema, e a senhora tinha tido alta há 2h do serviço de urgência geral... isto no sistema, porque provavelmente estava numa cadeira qualquer, provavelmente já com o epítet "caso social". Lá encaminhei a senhora, com indicações para falar com os administrativos e com as folhas que lhe dei na mão obrigá-los a encontrar-lhe a mãe.

Quando voltei ao serviço onde tinha sido chamada, a copeira e a auxiliar de acção médica saíram-se com esta:
- Ai Sra. Dra., isso já não há...
- Desculpe?...
- Isso que a Sra. Dra. fez... isso já não se faz. Parar o seu trabalho e andar a ajudar aquela senhora assim.. acho que faz muito bem e que Deus a ajude em tudo quanto lhe vier pela frente.

Ri-me, agradeci, fiquei toda orgulhosa de mim mesma (babada na verdade)... mas depois fiquei a pensar... que raio de fama têm os médicos. O que é que custa fazer o que fiz, sinceramente? É assim tão frequente virar as costas a uma pessoa que nos pede ajuda a encontrar a mãe que estará algures no hospital que nós conhecemos bem e onde nos sabemos mover?
E não me senti superior ou bem comigo mesma por não ser assim... senti-me triste.

E ainda

Profissionalmente é em 2009 que vou ser reconhecida... somando os 2 posts anteriores, percebe-se que isso é uma coisa (a única eventualmente) positiva que me espera neste ano.
Certo é que eu sou reconhecida profissionalmente todos os dias... só não pelas pessoas certas. Todos me têm um apreço e reconhecimento de capacidades e até conhecimento, excepto os do meu serviço, nomeadamente o meu tutor (salvo muy raras excepções). Incomoda-me, mas começo a pensar que se calhar o problema não é meu...

Não, agora a sério

Diz que 2009 vai ser um ano em muito (para mim e afins virginianos, para quem gosta/engole estas coisas) semelhante a 2008, visto que acaba o processo iniciado nesse ano. Um processo de revolução, de instabilidade no adquirido... em todos os campos (emocional, financeiro) excepto o profissional.
Sendo que 2008 ficará para sempre na memória como um ano de merda, pensar que 2009 o continua na mesma tónica é no mínimo desesperante.

Diz-que 2009

...vai ser a continuação de 2008!

Reza-te a sina

Não sei porque tenho esta necessidade de agradar e impressionar... passo a vida a desiludir-me por não me reconhecerem valor, simplesmente porque preciso que o façam.

janeiro 15, 2009

(In)significâncias

Já é a segunda vez que tenho um sonho semelhante. No primeiro, apanhava um qualquer comboio necessário para chegar a uma ponta de Lisboa (??), enganava-me na saída e tinha que trocar em Citius para sair na paragem certa (a anterior).

Neste, no mesmo comboio, acompanhada de dois amigos que seguiam noutra carruagem (nos sonhos há coisas assim... não era por ausência de espaço). Segundos antes da paragem pretendida, mais uma vez Citius, disseram-me que era ali que saíamos... arrumar tudo à pressa, com mochila do interrail e tudo, a pôr todas as malas na gare com as pessoas a entrar no comboio e a serem incapazes de se desviarem... quando ia a pôr a última mala na gare e sair, a porta fechou-se e o comboio começou a andar... abri a porta preparada para sair em andamento mas já não havia plataforma, o comboio não tinha degraus e os carris ficavam muito a baixo do nível do comboio.

Não percebi o que queria isto dizer... a reacção das pessoas que voluntariamente só complicavam, a minha ansiedade (e sobretudo a ausência dela anteriormente, que me permitia ter tudo desarrumado segundos antes da possibilidade de ter que sair, nada característico meu...), o não haver plataforma ou a altura desmedida do combóio.

Por estranhar o facto de se repetir este contexto estranho da linha de combóio e da repetição do nome da estação:

citius - do latim mais rápido, mais célere; é também o nome do projecto de desmaterialização dos processos nos tribunais judiciais desenvolvido pelo Ministério da Justiça.

E...?

janeiro 14, 2009

Limitante

Sempre soube este pequeno facto acerca de mim mesma, mas não quis encarar a verdade...

Adoro tachos, panelas, tupperwares (o que eu amo tupperwares!!), electrodomésticos pequenos e grandes... especiarias, peixinho especial de corrida, escolher a melhor verdura e a melhor carne... gosto de comprar toalhas de mesa, guardanapos, loiça... e a lista continua (e o que é triste é que até pode mesmo haver uma lista, real e não apenas figurativa).

Isto tem duas conclusões:

- Sou realmente a minha mãe, sem tirar nem pôr;
- Sou a confirmação do clichet: se me ampliassem a cozinha, eu ficava realmente feliz... genuinamente feliz!

janeiro 10, 2009

É muito gira a nossa aldeia

E o que dizer sobre os lugares reservados?
Reservados por caixotes de mercearia, por tábuas, por andaimes, por baldes de tinta barbot...
Tudo dá direito a reservar lugar.

Daqui por uns tempos, descompenso, e quando passar numa rua qualquer que não a minha, só para fazer finca-pé, afasto as marcações e estaciono. Dou uma volta ao quarteirão a pé e depois fico a ver o que acontece...

É que na minha rua, estacionar num lugar guardado por pessoas a ocupá-lo dá lugar a cruzes no pára-choques... é verdade... duas ou três em baixo relevo. Eu que o diga (ou o meu carro melhor dizendo). A letra escarlate, como quem anuncia "a dona deste carro não obedece ao código não escrito dos lugares reservados"...

E não obedeço mesmo, irritam-me as imposições sem sentido, e o conceito de que há pessoas que podem mais que outras. Lá porque não tenho uma tábua, um caixote de mercearia ou um balde de tinta barbot não quer dizer que não goste de estacionar à porta de casa.

Acho que tenho que mudar de casa, as pessoas da minha rua irritam-me...

Velhas, parte II

Para uma velha, as preocupações são particulares. O mundo delas gira à volta de coisas importantes como o passeio e os caixotes do lixo.
Pelo menos as velhas da minha rua são assim...

Na mesma rua com uns bons 10 lugares de estacionamento, as velhas acham correcto que não menos que 3 desses lugares sejam ocupados pelos contentores do lixo. Ai de quem queira afastar um contentor para estacionar um carro...

O objectivo de passarem as tardes à janela (aberta apenas se tempos mais amenos... nesta altura do ano encostam o nariz à janela e daí velam a rua) é garantir a segurança do seu precioso caixote do lixo.
Seu como quem diz do seu prédio. É que estes monos verdes têm que estar imediatamente à porta de suas casas, ou elas sofrem de terríveis palpitações e terrores nocturnos... o seu coração não aguenta. E é de coração na boca que gritam qualquer coisa imperceptível pela janela... rogando o bom senso do incauto automobilista que ousa estacionar num lugar tão dignamente ocupado pelo caixote.

As velhas da minha rua irritam-me.

Velhas

(a estacionar na rua à porta de casa, que tem à vontade uns bons 10 lugares, tendo que pôr duas rodas no passeio, mas a ter o cuidado de afastar o carro o mais possível para dar espaço para os peões passarem)

velha (através dos vidros do carro fechados) - bla bla bla (como os adultos no Charlie Brown)

eu - diga? (abro a janela, pensando que ela quisesse de facto dizer-me alguma coisa ) diga?

velha olha mais para o fundo da rua, fingindo que não estava a falar comigo de início

eu - diga?

velha - (resignada com ter que dizer qualquer coisa na cara e não atirar coisas para o ar, lá me respondeu) está em cima do passeio... e assim como é que os peões passam?

eu - pois minha senhora, por isso é que estou a afastar o carro...

velha cala-se, olha noutra direcção, e só quando chega outra velha ao lado dela é que recomeça a ladaínha.

Espero nunca me tornar tão cobarde quando chegar a velha. Odiaria irritar-me a mim própria.