outubro 13, 2007

O Hospital

Pois que então o hospital... a sucessão de estágios não me tem ajudado particularmente na escolha. Continuo na mesma. Nada concretizo, nada decido.
Cirúrgicas apelam-me, mas terei jeito? Sempre fui "jeitosa" de mãos, mas terei jeito para tudo? Gostava de saber a resposta a isso, mas não sei de facto, não tenho como saber... posso pedir opiniões sinceras a todos os que já passaram por isto, para saber se é normal todos serem meio nabos no início.
É verdade, a minha experiência de manipulação destas coisas acumula agora a 6ª semana... de voyeur tenho experiência suficiente para um curriculum, mas de meter as mãos só estas 6 semanas decorridas.
Estou a adorar, estou a adorar a experiência, estou a adorar o convívio, mesmo que em 70% dos momentos se esteja a criticar qualquer coisa no sistema, qualquer coisa nas condutas, qualquer coisa nas competências alheias... mas divirto-me, rio-me, vou trabalhar animada e com vontade de mais um dia de trabalho... fico até às 6pm só porque sim, porque me divirto e me rio e sei que me dão oportunidade de experienciar algo mais, quando podia perfeitamente ir embora pela 1pm e ter a tarde livre para vegetar e continuar sem me decidir.

O estado priveligiado é sem dúvida o saber o que se quer, mesmo que o que se quer seja de algum modo inatingível... ao menos sabemos atrás do que corremos, não corremos depressa e em todas as direcções sem saber exactamente o destino. É que o percurso mais curto entre dois pontos será sempre uma recta, não há discussão possível, e eu nos meus zig-zagues de indecisão passo por muitos pontos que sei não serem o meu, por outros tantos que são uma opção que não me acalenta o espírito, e por outros poucos que me emocionam.

Foi sonho de criança ou foi desejo ardente que me amarou os olhos ao ver um coração bater in loco? Faço tantos filmes, vejo tantos filmes (alguns dos quais da TVI) que já não sei o que é real...

Mais uma coisa que me preocupa

A Jô, a minha Jô abandonou a nossa linda Lisboa... de malas e bagagens lá seguiu ela para Portimão, para procurar emprego em Portimão, para viver em Portimão... adoptou um gato com o R. que vai viver em Portimão, na casa do R. em Portimão...
Já não posso passar por tua casa quando sair do hospital, para tomarmos café, fumar uns (ou umas) cigarros, falarmos de tudo e de nada e jogarmos umas canastas...
Já não me posso sentir arrastada para um qualquer filme sem guião e de produção independente, que entra de imediato no meu portfolio, de tão singular que é.

Tenho saudades tuas.

And now for something completely different

Nos meus anos ofereceram-me um voucher d'"a vida é bela"... vou finalmente fazer o salto de paraquedismo, high-tandem é a escolha.
Para me tirar desta apatia anedónica tenho que sair da minha casca, partir o invólucro beckettiano e romper fora do ciclo. Há uns anos fi-lo (de maneira tão simbólica e tão tipicamente rebelde de adolescente em idade de armário), cedendo ao "impulso" de concretizar um desejo com 8 anos de duração e fiz o meu piercing... sou definitivamente uma pessoa impulsiva!

Tenho mais uns 4 meses para fazer o salto... fisico e metafisico (ou metafórico e real).

La piovra

E tentando tirar as teias de aranha sempre em neoformação que representam os meus filmes com a minha família mais directa, pensei adquirir alguma paz saindo de casa... antes do primeiro ordenado fazer *plim* na minha carteira (ou o *plim* mais silencioso que se faz ouvir da conta do BPI) já eu andava com malas e caixotes num processo contínuo (e ainda inacabado) de mudanças. Já na casa nova, tenho ainda livros do meu pai de Ortopedia para trazer para casa, provavelmente para ficarem na arrecadação, porque sinceramente não me vejo a seguir os passos de pápai... mas logo se vê, até ao fim deste mês e sobretudo até ao fim do próximo, tudo pode acontecer.

Mas bem dizem os filmes da TVI que nos avisam (o aviso é para pessoas como eu, bem sei... a tv fala comigo... ...) que o passado vem connosco, em caixotes mais ou menos bem arrumados e mais ou menos bem identificados...
A teia é perene e persistente, mesmo com todo o nojo que implica para mim mexer em teias de aranha (que são agarradiças as mulas...), e o esforço necessário para deixar tudo livre delas, elas no fundo no fundo continuam lá. E remonta-me à história do estar por um fio... irritam-me estas tarefas inacabadas e inacabáveis, inglórias... como que se fosse tirar água de uma albufeira com uma chávena de café (vá, de chá...), um projecto sem fim previsível ou avizinhável.

E irrita-me sobretudo a absorção de mim mesma que estes assuntos fazem. Eu acho que sou mais do que a minha família... acho que sou mais do que o cunho da minha mãe em mim. Ela não acha certamente, tudo o que sou sou graças ao maravilhoso (acha ela)trabalho de mãe que ela fez... pareço uma caricatura freudiana, em que tudo remonta à mãe.

Próximo investimento: psicoterapia.

E é assim

Não sei onde ia, mas muito aconteceu.
A minha vida não é fácil, decididamente... cada vez que penso que o tumulto amansa, alguma vaga mais crispada me enrola, me tira o folego, chega com força suficiente para me derrubar os castelos.

O meu pai que é o assunto constante, que não mata mas mói, magoa, preocupa... uma situação sem fim, que nos faz sofrer a todos, porque parece que sim, porque parece que é bom, porque parece que é desejável mas na verdade ninguém está bem.
Mentira, a minha mãe está bem... dêem-lhe um papel para representar (o seu preferido na verdade) de esposa devota (ou alternativamente de mãe extremosa) e a mulher delira. É ver a diva dentro dela a pulular de alegria e em voz sonora pronunciar o seu "I'm ready for my close-up Mr.DeMille"... dentro e fora, diga-se.

É a minha mãe que deixou a diva ir longe demais e sinceramente pareceu (por um largo eperíodo) possuída pela diva...

Sou eu que ao fim de 15 anos não tenho paciência... não tenho... pior que não ter que paciência (porque mesmo sem paciência lá vou fazendo os esforços necessários e consecutivos para agir em conformidade aos acontecimentos, mesmo que me apetece mandar tudo às urtigas... ou à merda na verdade) é começar a considerar se é vantajoso compactuar e colaborar em determinados delírios, de certo modo validando-os; é começar a por a minha saúde mental à frente daquelas saúdes que são insanas já desde que me conheço...

Certo é que tudo o que considero descontrolado, ou excessivo na minha personalidade, facilmente o remonto a um ou vários episódios da minha infância/adolescência e sempre interligados com mámãe. Desde a minha revolta de Ipiranga, quando percebi que ela não era a melhor do mundo, que não era o que eu a pintava, com os meus 12 anitos, que passei a ter um ambiente familiar ainda mais fantástico e basicamente desde essa idade que quero sair de casa.

Tive o sangue frio de não lixar a minha vida e seguir o meu sonho, com grave prejuízo para a minha estabilidade mental, tenho agora a noção... façam-me repetir a mesma frase 2 vezes e fico por um fio, deixem-me 5 minutos à espera e durante uns 5 minutos não me vêem os dentes (e eu que pareço parvinha, estou sempre a rir), ajam de qualquer modo genericamente incorrecto e não me calo em discursos sobre moral, ética e justiça...

Damaged goods... já nem eu tenho paciência para mim mesma...

junho 22, 2007

E tudo e tudo e tudo...

Mudei de casa;
conseguimos não pagar empresa e escravizar alguns amigos solicitos para a mudança;
a minha mãe vai comprar um cachorro, também cão d'água para mitigar as saudades;
fomos vê-los, com 6 semanas... são adoráveis e tenho saudades do meu argos;
este ano o reveillon é cá em casa, não combinem nada porque certamente eu fui a 1ª a convidar;
não tenho muito para dizer aqui, nem muita paixão pela net nestes dias;
acho que é um adeus ou pelo menos um até daqui a muito tempo;
tudo de bom e um grande bem-haja (só porque sim, só porque dá sempre aquele ar...).

maio 01, 2007

E porque nem tudo pode ser flores e ocasos...

Atestado renovado da mediocridade portuguesa (entrevista de rua, aquando da abertura do tunel do Marquês):

- repórter "então e o que acha deste atraso na inauguração, com um desvio orçamental de 4 milhões de euros?"
- vox populi "é normal... é normal..."

Num repan

Na semana passada fui passar o fim-de-semana a Genebra com a minha mãe. Combinada de forma relâmpago, tratada de forma relâmpago... assim de sopetão é que sabe bem, como diz o outro.
Alugámos um carro e passeámos pela Suiça, depois da minha mãe tratar do que queria lá tratar. No último dia fomos a Lyon procurar um restaurante que mitigasse o estranho vício de mámãe dos arenques...

Foi muito agradável. Agradável e memorável a descolagem com vista para o lago Leman (nada grande, visto lá de cima) e para os alpes ao longo dele.
Ficou a vontade de lá voltar...

Giro também, na viagem de volta o avião ser tripulado por uma amiga... foi engraçado mesmo.

E o sempre saudoso regresso a Lisboa, tão linda de sobrevoar de noite (que nunca tinha feito)...

Não disse mas...

sou mãe...




e chama-se Tomás.

abril 18, 2007

Pequeninos

Irrita-me a incapacidade de dizer chega. Irrita-me o servilismo e absentismo de ira e indignação que é crescente na nossa sociedade, só porque as pessoas já sequer acreditam merecer ou ter oportunidade de alcançar mais do que isto...

Enviaram-me este
artigo de opinião e não resisti a responder. A pessoa que mo enviou (como quem assente com o escrito) é-me querida, mas insurgi-me na mesma.

E porque não tenho opinado sobre qualquer um dos 1001 temas que pululam nos dias de hoje e com os quais me iro no dia-a-dia, aqui vai...

deve-se então aplaudir a desonestidade, o oportunismo, a sociedade de favores em serviço ao culto do "doutorismo"/"engenheirismo"/"sr.arquitectismo" só porque é PS?!
A questão não é a questiuncula de ele ser ou não ser engenheiro... que ele é burro eu já sabia antes de saber que ele tinha feito o seu curso superior à laia de favores. Mas é por demais conveniente dissimular tudo isto como se de uma falsa questão se tratasse e como se o facto de a ela se dar atenção fosse um atestado à renovada mediocridade portuguesa.
Mediocre é termos um 1º ministro que dá este exemplo e mediocre é termos um povo portugues que acredita nas suas justificaçoes e acha que "os políticos também são homens, logo não podem ser perfeitos". Mediocre é já compreendermos tudo o que de mediocre se passa neste pais como se fosse natural...

março 24, 2007

Espelho meu

Fazia-me falta um de corpo inteiro... não saberia onde o pôr, mas um espelho é como um baço: nunca lhe damos importância, porque sempre vivemos com ele, nunca reparámos o quão importante e entrosado no nosso quotidiano ele estava... até ao dia em que nos vemos sem ele, e aí a nossa vida parece não ser possível... (ok, deixei-me levar demasiado pela metáfora... é possível viver sem um espelho de corpo inteiro!! mas olhem que custa!!!)

Mas evitando o impulso de viajar na maionese, vamos ao que vinha...

Sou, naturalmente e intrinsecamente, formal, contida, quase fria... não pareço, no meio de simpatias e sorrisos e atenções, mas chega dada altura em que não deixo mais.

A Jô acha que é filme meu, que não sou nada assim, mas que é esse o reflexo que de mim vejo, sem que necessariamente seja correcto... mas, apesar de achar que nalguns aspectos, os nossos amigos mais especiais e próximos nos conhecem melhor que nós mesmos, acho que aqui me conheço melhor.

E digo-o com alguma tristeza, porque sei que me privo de imenso com esta maneira de ser... sei que mais facilmente me distancio das pessoas, porque menos me prendo a elas. Não que não me sejam queridas, que não me sejam necessárias, mas não me são indispensáveis... chego à conclusão psicanalítica que na antecipação da rejeição, não deixo ninguém me ser indispensável, tornar-me dependente de ninguém...

É triste criar muros à volta, e ainda fazer cara feia a quem tem a audácia de espreitar por cima deles... qualquer dia fico uma daquelas septuagenárias eremitas, com a casa cheia de gatos (porque é que septuagenárias eremitas não gostam de cães?!.. ah, provavelmente porque implica sair à rua para os passear...) e cheiro intenso a amoníaco que já nem mesmo eu (menina cacósmica ou hiperósmica como sou) me apercebo...

...
Não ter espelho de corpo inteiro dá nisto! Rai's parta a feira popular...

março 23, 2007

A melhor receita do mundo

... procura-se!!

Uma dona de casa perfeita, capaz de produzir as mais variadas e exóticas iguarias, precisa sem dúvida de um forno... nunca pensei que tantas coisas que eu gosto de cozinhar precisariam de uns minutos de forno...

março 19, 2007

Fa(r), a long long way to run

Finalmente tenho net em casa... na nova casa isto é...
Felizmente pago mais para ter o bólide vodafone, para disfrutar de uma velocidade até 3,6 Mbps em oposição aos 640Kbps do tarifário mais barato... porque assim a velocidade de cruzeiro ronda os 237 Kbps...

Por outro lado, estou tão cansada de protestar este ano, que não sei se me sinto com forças de ir barafustar por estar a ser roubada para não variar. É que reivindicar é fatigante, sobretudo num país como o nosso em que só se esbarram contra portas que nem à força de arietes se abririam, quanto mais com o arremeço mais ou menos cordial que a minha (fraca) figura me permite... isto quando se tem a sorte de tentar abrir a porta certa, porque com a desinformação que grassa o mais certo é esbarrar-se contra toda e qualquer parede mestra...

Ter razão é um conceito muito relativo, quando tudo indica que a temos, há sempre alguma coisa completamente desprovida de sentido que nos ilustra, pelas palavras de quem nos põe ao corrente desta situação, como a nossa razão, por universal que possa parecer, tem um ou mais pontos em que não é consistente o suficiente para excluir outras razões (regra geral opostas entre si, o que por si só tem uma lógica muito própria)...

Não vou barafustar mais... vou comer e calar, porque ao menos assim não me chateio com o assunto, não gasto recursos e tempo com a preparação da e a própria reivindicação... já para não dizer que falar para as paredes nunca foi dignificante!

É assim que se funciona aqui, não vale a pena iludirmo-nos em contrário... por isso a solução está em ser-se vigarista ou em emigrar... eu, por características intrínsecas revejo-me apenas na última opção. E assim, afianço aos meus queridos amigos, próximos ou não, que um dia, não muito breve mas também não muito distante, ganharão uma casa de pernoita algures por um canto deste mundo, que diste em pelo menos uma fronteira desta erva-daninha à beira-mar plantada...

fevereiro 24, 2007

Capitalista

É fácil ser-se quando se tem dinheiro... dia 22 recebi o meu primeiro ordenado... soube-me lindamente ver 4 dígitos numa conta que fosse minha, a sério que soube!

O difícil agora é decidir onde gastar o que não é para por de parte... what to do?!

Sodomização 2 in 1

Passa a dia 1 de Março, Coimbra... 2 pelo preço de 1... não perca, num sexy hot perto de si!

fevereiro 16, 2007

Sodomização one-ó-one

Dia 21, rumo a Guarda... mostrar a vaselina com que de futuro prefiro que me... pois...

fevereiro 11, 2007

No return

Ainda não falei sobre isto, talvez porque não queira realmente... mas o sonho acabou definitivamente e da pior maneira. Terminamos de forma criminosa, delimitados e distinguidos por uma mentira, que resulta na pior das injustiças... 100 ou mais pessoas me passam à frente porque tiveram a sorte de assinalar alíneas erradas que o júri resolveu considerar correctas, apesar de estarem taxativamente contrariadas no livro de bibliografia.

Não há nada a dizer, não há nada a fazer, como habitualmente... é sofrer e pedir que alguém se lembre de se despachar para custar menos...

É preciso arranjar forças para agarrar nos livros novamente e tentar outra vez,e desta vez com margem suficiente para que se este tipo de coisas acontecer, não nos afecte... mas neste momento só me apetece dormir, ficar deitada a ver televisão na cama o dia inteiro e estar sossegada.

Arranjaram a maneira mais vil e mais baixa e que me dói mais de me deitar a baixo: a injustiça.

Pérolas a porcos

(the bible tells me so)

e de todas as pérolas que fui obrigada a ouvir, ler e ver nesta "campanha eleitoral" pelo referendo, estas foram as mais reluzentes:

- "No dia a seguir ao meu segundo aborto tive uma depressão horrível. Para tentar escapar à dor, saltei de uma ponte com os meus filhos de cinco e de um ano. Eu e o meu filho de cinco anos fomos salvos; infelizmente o bebé morreu" - tradução para porcos: eu já fiz 2 abortos, e só porque não consegui fazer o 3º, resolvi fazer um homicídio... Não ao aborto!

- "Depois de fazer um aborto senti-me péssima por saber que tinha feito um grande mal. Quis-me castigar espancando o meu filho de 3 anos, a pessoa mais preciosa da minha vida. E castiguei-me bem porque infelizmente o meu filho acabou por morrer" - imbecil! O castigo foi no coitado do teu filho... voltamos ao argumento do "aborto não, que eu já fiz o meu"... hipócritas

Outra pérola, é uma missionária sexagenária, dirigir-se à autoridade de saúde para pedir autorizações para 4 múmias poderem votar neste referendo... uma não vê, a outra não lê, a outra não para de tremer e a outra está paraplégica. E estas múmias, a 5 minutos de morrerem, querem ir influenciar a vida das 3 gerações de mulheres que as precedem, das 3 ou mais gerações de filhos que poderão nascer dessas mulheres...

Esta sociedade mete-me nojo... séculos se passam e não percebem que as palas nos olhos não fazem desaparecer o que não se vê. Não se referenda o aborto, mas a sua despenalização... se as velhas beatas quiserem depois fazer campanha para tentar mudar a opinião das mulheres que vão fazer abortos, força...

janeiro 22, 2007

Bairro do Zé Passarinho

As of today, tenho um ninho no bairro alto... do tamanho de uma gaiola, mas livre...

Hã?!

Estou a estupidificar...
ya... o people já comessa a currer pra aí depois da beca de trabalhos forssados prezos lá naquela cena... ajunta-me 1 mês de pachtel, no vj mix ou fazer cenas cá pela palhota... quando saio com os meus manos ainda fasso cenas que me deixam mais out, tájaver?!

Quero trabalhar... a sério que quero... o próximo passo é a linguagem dos x's e dos k's... ou pior!!! O meu pior pesadelo: a LiNgUaGeM dA bOlA sAlTiToNa!!!